quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010 no rock

É chegada a época de fazer balanço do que foi positivo e negativo no ano que está terminando. No rock tivemos boas notícias, várias mortes de ícones e ótimos shows em terras brasilianas. Abaixo, listo alguns dos principais acontecimentos, para que possa servir de arquivo para quem acompanhou durante esse ano, o Da Morte ao Mito.

As mortes:

- 13 de janeiro de 2010 - Teddy Pendergrass / Ex-vocalista do Harold Melvin & The Blue Notes
- 14 de abril de 2010 - Peter Steele / Vocalista do Type O Negative
- 16 de maio de 2010 - Ronnie James Dio / Vocalista das bandas Elf, Rainbow, Dio, Black Sabbath e Heaven and Hell.
- 24 de maio de 2010 - Paul Gray / Baixista do Slipknot
- 6 de junho de 2010 - Marvin Isley / Ex-baixista do The Isley Brothers
- 7 de junho de 2010 - Stuart Cable / Ex-baterista do Stereophonics
- 16 de junho de 2010 - Garry Shider / Guitarrista do Parliament-Funkadelic
- 23 de junho de 2010 - Pete Quaife /  Ex-baixista do The Kinks
- 19 de julho de 2010 - Andy Hummel / Ex-baixista do Big Star
- 26 de julho de 2010 - Ben Keith / Guitarrista de Neil Young
- 28 de julho de 2010 - Derf Scratch / Baixista do Fear
- 6 de agosto de 2010 - Phelps "Catfish" Collins / Guitarrista do Parliament-Funkadelic
- 12 de agosto de 2010 - Richie Hayward / Baterista e co-fundador do Little Feat
- 3 de setembro de 2010 - Mike Edwards / Ex-violoncelista do Electric Light Orchestra

Os shows:

- Rammstein: Memorável. Essa palavra basta para o público que lotou o Via Funchal (SP), na noite do dia 30/11/2010. Os alemães vieram com tudo na turnê “Liebe ist für alle da World Tour”. Em um show de pirotecnia e boa música, o grupo deixou a marca inesquecível na indescritível apresentação.

- Paul MacCartney: Somente na segunda apresentação no Brasil, do ex-beatle levou 64 mil ao Estádio do Morumbi. Nem preciso dizer a influência do mito, né?

- Outras bandas também marcaram presença e rechearam nosso país com ilustres apresentações, tais como: Bon Jovi, Coldplay, Guns n’ roses, Dream Theater, Franz Ferdinand, Placebo, Korn, Megadeth, Manowar, Mudhoney, Aerosmith, Rush, Mars Volta, Rage Against the Machine, Kings of Leon, Queens of the Stone Age, Linkin Park, Green Day dentre várias outras.

As novidades:
- Rock in Rio 2011: finalmente o maior festival de música mundial volta a ser anunciado no Rio de Janeiro. Dentre tantas atrações, os Red Hot Chili Peppers, Metallica, Slipknot e outros já deixam o público brasileiro na expectativa de um mega evento.

- Shows (além do Rock in Rio): Ozzy Osbourne no Brasil. O Deus do heavy metal volta a pisar em terras brasileiras logo no primeiro semestre de 2011. O Motorhead, U2 e o Iron Maiden também vão dar o ar de suas graças ao Brasil.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

No Natal também tem rock n’ roll

Meados do mês de dezembro, não se fala em outra coisa ao redor do planeta, a não ser o Natal. Essa é a época em que até os mais pesados sons, tornam-se sensíveis em suas letras, para saudar a data de maior representatividade comunal.

Para quem quer passar o Natal sem abrir mão da boa música, segue uma lista com canções temáticas, desenvolvidas por várias bandas, especialmente para essa data.

Delicie-se!
Canções sobre o natal:
All I Want - Styx
Blue Christmas - Elvis Presley
Baby Please Come Home For Christmas - Bon Jovi
Christmas (Baby Please Come Home) - U2
Christmas All Over Again - Tom Petty & The Heartbreakers
Christmas Christmas - Mojo Nixon
Christmas In Your Arms - Felix Cavaliere
Christmas Is Here - Survivor
Christmas Piglet - Presidents Of The United States Of America
Christmas Time - Bryan Adams
Christmas Time Again - Lynyrd Skynyrd
Christmas With The Devil - Spinal Tap
Daddy Drank Our Xmas Money - Tvtv$
Deck The Halls - Metal Mike, Alison And Julia
Eveybody Loves Christmas - Eddie Money
Father Christmas - The Kinks
Fuck Christmas - Fear
Good King Somethingorother - Bush
Happy Xmas (War Is Over) - John Lennon And Yoko Ono
Here Comes Santa’s Pussy - The Frogs
Homo Christmas - Pansy Division
Hooray For Santa Claus Theme From Santa Claus.. - Sloppy Seconds
I Believe In Father Christmas - Greg Lake
I Believe In Santa Claus - Reo Speedwagon
I Saw Mommy Kissing Santa Claus - John Mellencamp
I Want For Christmas - John Waite
Infeliz Natal - Raimundos
It’s Christmas - Boquet Of Veal
(It’s Gonna Be A) Punk Rock Christmas - The Ravers
Jingle Bell Rock - Bill Haley & His Comets
Little Drummer Boys - Mike Watt
Little Saint Nick - Beach Boys
Make It Home - Juliana Hatfield
Merry Christmas (I Don’t Wanna Fight Tonight) - Ramones
Merry Christmas Baby - Chuck Berry
Merry Xmas Blues - The Celibate Rifles
Merry X-Mas Everybody - Slade
No Presents For Christmas - King Diamond
Papai Noel Velho Batuta - Garotos Podres
Peace On Earth/Little Drumer Boy - David Bowie/Bing Crosby
Please Come Home For Christmas - The Eagles
Rockin’ Around The Christmas Tree - Brenda Lee
Run Rudolph Run - Chuck Berry
Santa Claus Is Comin’ To Town - Bruce Springsteen
Silent Night - Keith Emerson
Silent Night - The Dickies
Thank God It’s Christmas - Queen
There Ain’t No Sanity Claus - The Damned
Twas The Night Before Christmas - Henry Rollins
White Christmas - Stiff Little Fingers
Wonderful Christmas Time - Paul Mccartney

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Kiss: mito além da morte


Nem a morte separa os fãs do Kiss da imagem da banda. A empresa americana Eternal Image, especializada em produtos funerários, anunciou o lançamento de uma linha de produtos inspirados pelo Kiss. Caixões, urnas crematórias, lápides, santinhos, velas e até urnas crematórias para animais estarão disponíveis para quem desejar experimentar o momento de libertação da alma ao lado dos ídolos.

Essa é mais uma prova da gravidade e da exarcebação da sociedade do consumo, que preza pela imagem até na hora da morte. E isso, é claro, significa dizer que a indústria da comunicação de massa constrói e consolida cada vez mais os mitos na sociedade pós moderna.

É fato que a imagem do Kiss sempre foi aliada a artefatos fúnebres. E essa iniciativa dessa empresa americana é apenas a primeira de muitas, que vão fazer com os que fãs desejem cada vez mais, ir para debaixo da terra revestidos por imagens de seus ídolos, na esperança de encontrá-los do outro lado.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rammstein no Brasil: espetáculo áudio e visual


Indescritível. Essa com certeza é a sensação dos milhares de brasileiros que foram ver nessa terça-feira (30), o grupo alemão Rammstein. A  casa de shows Via Funchal, na cidade de São Paulo,  foi sede de um dos melhores e mais bem produzidos espetáculos, que há tempos não se via nesse país.

O sexteto alemão veio com força e com toda presença de palco para um dos shows mais aguardados do ano. Depois do fiasco da apresentação do grupo em 1999 nas terras brasilianas, num show de abertura pro Kiss, a plateia pediu perdão em grande estilo representando muito bem o país com uma energia inexplicável.

Ansiosos pela espera do grupo, pessoas de vários estados aguardaram em uma imensa fila formada ao redor do Via Funchal. Com um pequeno atraso de 15 minutos, o vocalista Till Lindemann deu início à apresentação da banda, cantando com o seu belo (e grave) alemão, a introdução de Rammlied. Acompanhada de um espetáculo de pirotecnia, foi só a bandeira alemã cair para a plateia ir ao delírio.

Veja abertura do show:


As músicas do novo álbum da banda foram o grande destaque da turnê “Liebe ist für Alle da”. Os efeitos sonoros foram muito bem intercalados com a pirotecnia, fogo e envolvimento teatral da banda. Clássicos como Du Hast, Ich Will, Sonne e Pussy não puderam faltar.

Veja apresentação de Du Hast:


Ao final, a plateia pediu e a banda atendeu. Uma versão bem quente de Te quiero Puta encerrou uma das apresentações que foi muito além das bandas americanas.

Veja final do show


O ícone alemão levou ao delírios os brasileiros, que com certeza já esperam ansiosos pela volta da banda ao Brasil.

Setlist:
"Rammlied"
"B********"
"Waidmanns Heil"
"Keine Lust"
"Weisses Fleisch"
"Feuer Frei"
"Wiener Blut"
"Frühling in Paris"
"Mein Teil"
"Du Riechst So Gut"
"Benzin"
"Links 2 3 4"
"Du Hast"
"Pussy"
"Sonne"
"Haifisch"
"Ich Will"
"Te Quiero Puta"

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Por que as celebridades suicidam?

Morra jovem, permaneça belo, diria Kurt Cobain antes de morrer.  Mas por que as celebridades desejam morrer tão cedo? No ano passado, fiz um estudo sobre o assunto, partindo de teorias de vários autores para tentar chegar a uma conclusão.

Muitos acreditam na psicologia da alma humana, que faz com que as celebridades estejam mais expostas aos problemas e à pressão da sociedade. Outros explicam os fenômenos aliados à rebeldia e às drogas. Pois bem, vamos às opiniões deles.

Edgar Morin, em seu livro O homem e a morte, afirma que a evolução cultural da sociedade em como tratar a morte parte também do saber. Progressos técnicos, econômicos e sociais fazem com que as pessoas passem a ser governadas pelas leis, ao mesmo tempo em que se afastam de sua naturalidade, fazendo com que fenômenos naturais ao ciclo da vida, como a morte, torne-se algo insolúvel, conflitante.

Antonio Fausto Neto, no livro Mortes em derrapagem, propõe uma discussão acerca da questão da morte dos olimpianos na comunicação de massa. O autor diz que os olimpianos funcionam como uma “máquina significante” que se define como representação social. Fausto Neto diz que a mídia constrói a noção de morte de determinados segmentos dos olimpianos.

Para ele, celebridades viram “mercadorias” por se tornarem objeto de identificação, projeção e imaginação do campo de recepção. O autor reitera que a morte de celebridades transforma-se em produtos da indústria cultural, que dão forma ao discurso como mercadoria e à construção de funcionamento dos processos identificatórios da psique humana e de semantização da vida social, enquanto retratada pela mídia.

Em seu livro Morreu na contramão: o suicídio como notícia, Athur Dapieve analisa como o suicídio é tratado na imprensa e a dificuldade que a sociedade tem para lidar
com o tema. Para especificar ainda mais a suspeita morte por suicídio, no caso de Kurt Cobain, por exemplo, o autor começa definindo que a morte voluntária não é algo extraordinário, mas que a imprensa o expõe como tal.

Segundo Dapieve, existem razões lógicas para o suicídio, que causam culpa em familiares e amigos próximos ao morto. Em torno da notícia costuma haver um silêncio derivado das crenças de que o suicídio pode ser contagioso, uma vez difundido nos meios de comunicação de massa. Por sua experiência em veículos brasileiros, Dapieve percebeu que a imprensa é determinada pela visão que os leitores têm da morte voluntária. Logo, a imprensa não seria o “vetor” do contágio, mas a estância social que o sustenta. Dapieve afirma que os vínculos entre uma imprensa livre e sua sociedade são indissolúveis.

Daí eu questiono: a mídia tem ou não tem papel crucial nessa história?

Nota: Esse texto é parte do artigo científico que produzi para a Universidade Feral de Minas Gerais (UFMG), em 2009, intitulado “A morte do personagem midiático - Um estudo sobre Kurt Cobain na revista Rolling Stone Brasil, 15 anos após o seu suicídio”.

Quer ler o artigo na íntegra? Baixe aqui. 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Como viver o rock n’ roll: a solução em uma página

Com o advento da modernidade, o comportamento humano está a cada dia mais previsível. Um bom exemplo é a venda e o interesse das pessoas por “almanaques” sobre como fazer ou “entender a sua infância”. Já percebeu que para tudo que você já viveu tem um almanaque para registrar? Não, não falo do seu álbum de fotos de experiências vividas por você. Falo daqueles registrados e publicados por editoras, que por uma incrível coincidência tem tudo a ver com a sua vida.

No rock é claro, não poderia ser diferente. Depois dos rótulos comportamentais ditados pela sociedade, não basta ouvir o bom som. É preciso vestir-se a caráter, comportar-se como tal e viver aquele estilo rock n’ roll, se quiser ser “de atitude”. Para relembrar a memorável presença desse estilo no mundo, existem diversos almanaques que ditam regras e atitudes para os adeptos.

Vejamos alguns exemplos:

Almanaque do Rock
Neste almanaque, escrito por Kid Vinil, o leitor encontrará mais de 50 anos de história do bom e velho rock'n'roll. Esse ritmo contagiante que traduz excitação e frenesi nunca envelhece, pelo contrário, se renova a cada geração. Hoje, o gênero musical deita e rola na era digital, usando os famosos samplers, instrumentação eletrônica e muitos computadores. Mas uma coisa é importante ressaltar: o rock'n'roll nunca perdeu a sua rebeldia, o seu jeito de entrar com o pé na porta.





Que Rock É Esse?
Feito a partir da parceria entre Editora Globo e o canal a cabo Multishow, este livro registra e contextualiza as principais bandas nacionais. O projeto surgiu do programa homônimo de televisão apresentado por Beto Lee. Além de documentar a trajetória do rock até a atualidade, o livro traz análises e comentários de ícones do estilo musical no país. Dividido em cinco partes (anos 1960, anos 1970, anos 1980, anos 1990 e anos 2000), o livro traz uma linha do tempo para cada década. Nelas, constam os acontecimentos mais importantes da política, do cinema, da moda e da música.



Segredos e Lendas do Rock
Boatos e rumores sempre foram um atrativo para que as pessoas se interessem pelas celebridades. O mundo do rock, entretanto, possui histórias que vão além desse simples interesse e se misturam com a vida real de tal maneira que formam verdadeiros segredos e lendas que tanto fascinam os fãs. Neste livro, o autor seleciona e fornece detalhes a respeito de diversos fatos envolvendo os astros do rock, o que fará com que o leitor se divirta e solte a imaginação com tantas histórias envolvendo seus maiores ídolos.



Breve História do Rock
O rock'n'roll, embora derivado do blues norte-americano, reuniu através dos anos influências de toda parte para formar seu estilo próprio: escala pentatônica do blues, improvisação do jazz, marcação insistente das marchas militares, sutilezas rítmicas da rumba e do baião, a canção italiana. A história do rock desde os seus primórdios, antes da década de 1950 até hoje.







Rock and Roll: uma História Social
O livro cobre 30 anos de um dos mais importantes fenômenos de massa do século 30. O autor Paul Friedlander mostra com o gospel, o country e o blues influenciaram desde Elvis e Marvin Gaye ao The Who, e revisita a cena do rock clássico, alternativo e do punk-rock traçando a história do gênero musical que já atravessou cinco décadas de sucesso ininterrupto.



Assim como esses, existem vários outros exemplares do estilo. Não sou contra aos almanaques do rock. Pelo contrário. Acho que eles arquivam fatos e são responsáveis pela história. Acho que inclusive, que eles fazem do rock o estilo mais midiático do mundo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A biografia de um mito vivo

A revista Veja publicou em sua edição desta semana, uma divertida entrevista com Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones e eterno pai do Capitão Jack Sparrow, de Piratas do Caribe. Estarrecida com a (engraçada) ironia do músico, não hesitei em deixar de dividir com vocês a modéstia do ídolo que considera-se um mito vivo.

Com o título “Sou um sujeito família”, a revista Veja, em tom descontraído, leva a conversa com a celebridade que se considera portadora de um sangue imbatível. Richards diz estar limpo e afirma nunca ter tido problemas com drogas, somente com a polícia.  Além de suas travessuras no Rolling Stones, Richards leva a vida de uma maneira tranqüila e parece lidar com a fama como algo divertido.

Consciente de sua influência mundial, a celebridade já se considera o “mito imortal” e ele próprio resolveu lançar a sua autobiografia, elaborada com a ajuda do jornalista James Fox. Vida (Life, no original) é bela e rara história de uma celebridade que quer derrubar o próprio mito. Num estilo de prosa que mistura transparência e sarcasmo (especialmente em relação a Mick Jagger, seu parceiro e eterno rival nos Rolling Stones), mostra-se generoso com o público que o idolatra por anos e sincero com seus anos de formação.

O guitarrista oferece detalhes sobre como escreveu as grandes canções da banda, seus inúmeros problemas com drogas, suas mulheres e sua criação em um cubículo no subúrbio londrino de Dartford, após a Segunda Guerra Mundial. Os capítulos de sua infância e adolescência evocam a educação de filho de operários e descrevem situações que lembram maltrapilhos personagens mirins do escritor Charles Dickens. Richards conta ter sido vítima de perseguição na escola (ele tinha uma ratinha a quem deu o nome de Gladys) e que, depois de abandonar o curso de arte, dedicou-se a estudar seus ídolos musicais, como Muddy Waters, Jimmy Reed, Little Walter e Robert Johnson.

Para os que ainda não leram o livro (como eu), não deixem de ver a entrevista na revista Veja, que com certeza desperta uma vontade maior ainda de ler essa obra clássica de um dos poucos mitos vivos da história do rock.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O rock (finalmente) será no Rio em 2011

A Copa do Mundo de 2014 e as olimpíadas de 2016 nas terras brasileiras parecem já fazer efeito no calendário do país. Não são só as obras de readaptação de estádios e a reconstrução desenfreada das principais capitas que parecem movimentar a rotina dos brasileiros. Os eventos internacionais voltam a acontecer aqui e os gringos já começam a comprar as passagens antes mesmo dos acontecimentos esportivos.

 A começar pelo evento mundial Rock in Rio, que como o próprio nome diz, tem sua tradição em uma das cidades mais quentes do planeta. Por motivos mal explicados e por questões polêmicas, o evento deixou de ser sediado na cidade maravilhosa. Porém, os dinossauros do rock viram em suas turnês - que ultimamente tem sido constantes no Brasil, que o país é bastante receptivo quando o assunto é música. O turismo movimenta o PIB brasileiro quando o papo é rock n’ roll. Não há quem não viaje para outras cidades e estados para ver suas bandas favoritas. Sem contar quem vem de fora.

Portanto, felizmente podemos comemorar porque em 2011 ele volta a ser nosso. Várias especulações estão sendo feitas sobre as atrações para o Rock in Rio 2011. Serão mais de 100 Bandas que irão movimentar o Parque Olímpico Cidade do Rock, que vai ser montado em uma área de 150 mil metros quadrados na Barra da Tijuca, na zona oeste carioca. Até agora, foram confirmadas as seguintes bandas: Metallica, Angra e Sepultura.

Mas, pela amplitude do evento e pela tradição de grandes bandas já terem se apresentado nele, arrisco até mesmo a vinda dos Foo Fighters, Red Hot Chili Peppers, REM, Guns (por que não) e Pearl Jam.

Agora é esperar pra ver. São poucas bandas confirmadas, mas o evento já tem data de início: 25 de setembro de 2011. Até mesmo os ingressos já começarão a ser vendidos na próxima semana (19/11/2010), no valor de R$180,00.

Quer ver a estrutura do festival?


Um pequeno aperitivo. Abertura dos portões para show do Iron Maiden, no último Rock in Rio 2001:


Outras informações sobre o festival: www.rockinrio.com.br

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Qual é o preço de um mito?

Depois de virar moeda comemorativa, John Lennon entra pra lista das personalidades de “homenagens sem fim”

Os ingleses representaram a adoração mundial ao ex-Beatle na semana passada com uma homenagem sólida e bastante criativa. Completando 30 anos de sua morte, John Lennon teve seu nome registrado numa moeda comemorativa lançada pela Royal Mint, empresa que fabrica moedas britânicas.

Lennon foi o escolhido por voto popular no concurso “Great Briton”  para ser a personalidade homenageada na edição comemorativa da empresa. A Royal Minte abriu votação para a escolha, e não teve para ninguém. O eterno ídolo foi o escolhido.

Para quem acha que foi simples a disputa, uma surpresa. Cinco das mais famosas (e queridas) personalidades do país concorriam ao título de grande britânico. Concorreram com Lennon a escritora Jane Austen, Douglas Bader, piloto da Real Força Aérea britânica na segunda guerra, o escritor Walter Raleigh, Emmeline Pankhurst, que lutou pelo direito do voto feminino no país, e John Logie Baird, um dos pioneiros da televisão.

Para se ter uma ideia da importância da premiação, já foram homenageados Shakespeare, Churchill, Charles Darwin, Florence Nightindale e Isaac Newton. Ou seja, Lennon é imortalizado junto com a imagem de personalidades que fizeram diferença na humanidade.

A moeda está sendo vendida por 45 libras.

Daí eu completo: morre o ídolo, nasce o mito eterno. Nada mais.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Have you already found a grave today?

Quanto mais navego pelas profundezas da internet, mais confirmo a máxima de que os famosos mortos tornam-se mitos na sociedade midiatizada. A prova da vez é o site Find a Grave, que disponibiliza fotos e histórias de túmulos das mais famosas personalidades mundiais.

O site nada mais é do que um Google de túmulos de personalidades. Basta você fazer a busca por localidade, época ou nome, e encontrar em menos de um segundo, a ficha completa da personalidade, junto com a foto de sua respectiva sepultura.
Além do histórico, o site torna pública a imagem dos cemitérios e das homenagens feitas aos famosos para todo o mundo, principalmente para as pessoas que não podem visitar a sepultura de seus ídolos pessoalmente. Ainda preciso dizer que a morte é a notícia que mais desperta curiosidade pública?

A internet populariza e torna acessível o ápice da curiosidade humana, pois possibilita o acesso interplanetário a fotos como de ídolos mortos, como faz o polêmico site Assustador, que independente da ética ensinada nas escolas de jornalismo, torna pública, imagens de famosos e anônimos no momento mais trágico de suas vidas. Não há como recriminar ou julgar como conteúdo desrespeitoso, pois a nossa curiosidade humana vai além dos nossos princípios morais.

Já que o papel da mídia é reforçar, vamos à alguns exemplos listados entre os túmulos de famosos já listados nesse blog, com imagens do site Find a Gave:

O túmulo de John Lennon


O túmulo de Michael Jackson 



Túmulo de Ronnie James Dio
     

Túmulo de Peter Steele

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Silverchair: a prata que não virou ouro


A banda da vez não acabou e não teve nenhum integrante morto, mas com certeza é a prova de que o fim muitas vezes pode significar o início de um reconhecimento eterno.  Falo dos australianos do Silverchair, o trio que com pouca idade conquistou o mundo pelo rock arranhado do grunge e da agressividade.

Não que eles deveriam ter acabado – até tenho muita esperança que voltem a fazer álbuns como Freak Show, mas o sucesso e influência do grupo nos primeiros anos desta década são imensuráveis, se comparado com os dias atuais.

A performance de Daniel Johns e sua trupe mudou não só fisicamente, mas também na forma de fazer música. Os meninos parecem ter se libertado para a juventude e para experimentarem algo “energizante”, como ver o rock como algo independente, e não apenas como compromisso, como sempre fizeram desde os 17 anos de idade. A banda ainda tem qualidade, mas não há como comparar Israel’s Son, Freak, Slave e as canções de Diorama – o 4º e último álbum do ‘antigo’ Silverchair.

Nem mesmo as doenças de Johns afastaram do Silverchair o título de uma das grandes bandas do ano 2000. O rock in rio 2001 foi a prova do potencial do trio, depois do show absurdamente bem apresentado, superando até mesmo a expectativa dos fãs do Red Hot Chili Peppers, que se apresentaram na mesma noite.

Os australianos voltaram ao Brasil em 2003, para até então “última apresentação”. Em 2007 eles voltaram à mídia com outra imagem, embora carregassem a bagagem musical em suas apresentações. Os integrantes investiram em novos projetos, mas não obtiveram sucesso. O Silverchair é mais uma banda vítima do sucesso terminável. O trio voltou e desperdiçou a chance de entrar pra história como uma das maiores bandas de influência mundial - o que é uma pena.

O rock in rio volta para o Rio de Janeiro em 2011. O que nos resta agora é acreditar na profecia e esperar que os australianos repitam o sucesso de 10 anos atrás!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O rock faz a moda e a identidade de seus adeptos

Jeans rasgados, tênis all star, coturnos, camisas de banda, saias xadrez, acessórios pontiagudos, vestidos de renda escura, calças e jaquetas de couro. O rock não é derivado apenas de um estilo musical, mas de uma série de histórias e cenários que acompanharam a evolução da sociedade e a tendência alternativa, proposta por muitos grupos musicais.

Que a música propõe estilos não é novidade. Desde os primórdios do pop e do rock, as estrelas ditavam não apenas um novo estilo de som, mas de comportamento e de moda. As celebridades até hoje são responsáveis por moldar cortes de cabelos, roupas, sapatos e até mesmo o posicionamento de várias pessoas em relação à sociedade.

Alguns autores dizem que os mitos passam a ser símbolos na indústria cultural. Douglas Kellner, autor de “Cultura da Mídia”, as celebridades nada mais são do que uma forma de propagação dos produtos culturais. Para ele, a moda tem a força de criar materiais que constroem identidade porque a cultura das sociedades tradicionais e modernas fazem com que o traje e a aparência indiquem a classe social e o status das pessoas.

Na da década de 1960, com o aparecimento dos Beatles e outros grupos que simbolizavam “rebeldia”, o mundo acompanhou a intensa tentativa de destruir os códigos culturais através de uma nova moda, que criou novas identidades acompanhadas do sexo, drogas e do rock. Naquele tempo, a moda era a “antimoda” que enfeitiçava os jovens pelo fato de sentirem o prazer de se acharem “contra o sistema”.

Esse mesmo autor diz que enquanto a sociedade criava novas modas, a cultura da mídia ia se transformando em uma fonte prazerosa porque colocava à disposição modelos de aparência, comportamento e estilo. Os astros do rock, por exemplo, usavam cabelos longos e se vestiam de modo pouco convencional, influenciando, entre as décadas de 1960 e 1970, as mudanças nos cortes de cabelo, no modo de vestir e no comportamento, ao mesmo tempo em que as atitudes às vezes rebeldes serviam de sanção para a revolta social.

O surgimento de novos grupos como os Rolling Stones impulsionavam a revolta contracultural e a adoção de novos estilos comportamentais. A associação entre o rock, cabelo comprido, rebeldia social e inconformismo em moda continuou por toda a década de 1970 com ondas de heavy metal, punk e new wave.

O Brasil é um bom exemplo de que a cultura da mídia criada e mantida pelos rockers é um mercado que está em constante giro. Diga-se de passagem, as “Galerias do rock” espalhadas pelo país são pontos turísticos para os adeptos do estilo roqueiro.

Abaixo, lista dos ícones do rock que marcaram moda nas últimas décadas:

O cabelo “rodado” de John Lennon


O xadrez de Kurt Cobain


Sid Vicious com o cabelo e acessórios do punk

Robert Smith e o gótico dm o The Cure

Dave Mustaine e as longas madeixas do heavy metal


Elvis e o topete do rock

domingo, 10 de outubro de 2010

Barulho mirim

Aproveitando o dia das crianças, não poderia deixar passar em branco a oportunidade de postar fotos de grandes ídolos do rock que já morreram (seguindo a tendência desse blog) com seus poucos anos de vida.

Na lista abaixo, fotos de infância de Kurt Cobain, Layne Sataley, John Lennon, Cazuza, Ronnie James Dio e Ian Curtis.

Fotos: Whiplash

Kurt Cobain

Layne Staley

John Lennon
Cazuza
Ronnie James Dio

Ian Curtis

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Como morrem os astros do rock?

Você sabe qual é a principal causa da morte dos ídolos do rock?
Qual é a idade média dos óbitos?

O gráfico abaixo, perfeitamente detalhado por Rafael Oliveira (@rafalolbh) mostra que overdose e acidentes com meios de transporte são as principais causas, depois das mortes fatalmente registradas por fenômenos naturais. 


Fonte: Wikipedia 

Segundo Rafael Oliveira, autor do levantamento dos dados, muitas das mortes naturais podem ter sido em decorrência de drogas ou álcool. 

O número de overdose considera-se mortes ocasionadas por drogas ou também de forma acidental (como o caso do Michael Jackson).

Tirem suas próprias conclusões.
;-)

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

De cara nova!

Em menos de um ano de existência, o Da Morte ao Mito viu a necessidade de criar uma cara mais "rock n`roll" para ilustrar e deixar claro os principais objetivos desse blog.

Para a bela ilustração que temos de fundo, o designer Armando Antonnioni (@aantonnioni) usou os posters do site www.gigposters.com, a partir de sugestões de Leonardo Bracarense (@lbraca), também expert no assunto layout e rock.

"Utilizei os tijolos porque queria fazer uma menção ao mundo urbano. Inicialmente iria utilizar as marcas das bandas como se estivessem pichadas no muro, como algo rebelde, meio caótico, dando a intenção de um mundo sem regras", afirma Armando Antonnioni. "A partir das sugestões do designer Leonardo Bracarense surgiu a ideia de utilizar posters das bandas e criar uma espécie de mural", completa o autor da arte.

A escolha dos posters foi a parir das minhas bandas favoritas. O Nirvana, claro, tinha que ter espaço privilegiado no topo deste site. =)

Espero que vocês também tenham gostado!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Debates e polêmicas preveem o futuro do rock

Um grande reboliço e revolta por parte dos fãs e de antigos músicos tem rondado a incerteza de qual será o caminho do rock daqui a uns anos. No Brasil, principalmente. As últimas semanas deram o que falar com a premiação dos “melhores músicos”, segundo a audiência de canais de música como MTV e Multishow. O público votou e os ‘mais antigos’ se rebelaram ao ver que o que faz a cabeça da garotada atualmente são bandas que muito mais interpretam papéis do que fazem um barulho cru, como nas últimas décadas.

Como abordei no último texto, talvez os Mamonas Assassinas tenham sido o grande e último ícone do rock brasileiro. Não me posiciono contra as bandas de hoje em dia, porque devem ter algum potencial para conquistar tantos adolescentes - também não conheço para julgar. De qualquer forma, há de se reconhecer que há muito tempo não vemos boas bandas nascerem em terras brasilianas.

Mas por que será? O brasileiro não sabe mais fazer música? Não. Claro que não. Como eu também já reiterei, acompanho o movimento de bandas independentes e tenho ouvido muito som bacana por aí. Porém, na minha opinião, há uma série de fatores que influenciam. Na sociedade globalizada, a aparência conta muito. Na era da convergência de mídias, quem faz o som parecido com a novelinha da TV tem grande chance de sobressair. Ao mesmo tempo, quanto mais mobilizar na internet, mais notoriedade. A inclusão digital também é grande possibilitadora para emergência desse campo.

Em contrapartida não há como negar que os novos sons que tem estourado não tem agradado a todos. Só o fato de uma premiação causar tamanho alarde, prova que os gostos estão muito bem delimitados e que muitos brasileiros já desiludiram de esperar coisas (boas) novas. O principal argumento para isso é que os pubs e casas de show espalhados pelo Brasil trazem em sua maioria, covers de bandas antigas como atração principal. “É o que vende”, defende muitos proprietários. Mas vale lembrar que o consumidor compra aquilo que é melhor.

Vale ressaltar também, que a crise musical não está só aqui. Quantos são os gringos que estão vindo à América do Sul para fazer shows até então históricos no Brasil? Isso é uma prova do que o antigo vende e é o que as pessoas querem ouvir. O que dá a entender é que há uma carência do público e das próprias bandas em ver antigos hits lotarem suas apresentações. Até essas bandas se perdem na hora de gravar novos álbuns. Já não se sabe mais o que irá vender e agradar a massa.

Ainda há uma polêmica em torno disso: será que hoje em dia os músicos tem criado bandas apenas para vender? Será que a qualidade musical tem ficado pra trás? O que é qualidade no rock atualmente?

É um longo debate. E é polêmico. O que eu acho? Sinceramente, tenho saudade dos antigos sons e acredito que muitos ainda mereçam estourar e abocanhar bons prêmios por aí...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Mamonas Assassinas: comédia e tragédia

O espetáculo de uma das maiores bandas brasileiras 


Imagine um quinteto brasileiro que carrega nos seus principais ingredientes rock, interpretação, figurino engraçado, atitude, letras cômicas e uma pitada de sentimentalismo. Pronto. Está armado o cenário perfeito para atingir público ilimitado no Brasil, sem fronteiras de classe social, cor, idade ou sexo. A solução pra um país desigual? Infelizmente não falamos de política, mas de uma banda que conseguiu quebrar paradigmas, unir a nação verde amarela (fora da copa do mundo) e provar que a mistura de ritmos é tão saudável quanto a mescla de diferentes povos.

Profundo isso, não? Tantas palavras robustas para falar de cinco malucos que formaram os Mamonas Assassinas no ano de 1995. Os últimos brasileiros nascidos na década de 1990 podem se orgulhar por terem vivido um período histórico da música. Nunca se viu tantos idosos curtindo um punk rock engraçado, nem tantas crianças com estilo alternativo para imitar os ídolos. E o mais extraordinário: com os pais apoiando, patrocinando fantasias e “discos” da banda.

Os Mamonas Assassinas formavam uma banda tipicamente brasileira de rock cômico e punk rock, com influências de gêneros populares, tais como forró, sertanejo, além de heavy metal, rock progressivo e música portuguesa. A carreira da banda durou o curto tempo de Julho de 1995 até 2 de março de 1996 (7 meses). Não só a morte de seus integrantes, como também o sucesso destes, foi meteórico e estrondoso.

Com um único álbum de estúdio, Mamonas Assassinas, lançado em julho de 1995, o grupo acarretou a venda de mais de 2 milhões de cópias no Brasil, sendo certificado com Disco de Diamante em 1995.

Porém, no auge de suas carreiras, os integrantes da banda foram vítimas de um acidente aéreo fatal. O Brasil inteiro parou para lamentar a morte do quinteto que havia conquistado toda a rede de televisão e rádio nacional. O mais impressionante foi a forma como a crítica recebeu a irreverência do grupo, que mal deu tempo para as tribos esquerdistas tentarem abalar a sua carreira, ou de outros jovens tentarem sequer copiar o estilo para concorrer.

Dinho (Alexsander Alves) – vocal, Bento Hinoto (Alberto Hinoto), Júlio Rasec (Júlio César), Samuel Reoli (Samuel Reis de Oliveira) e Sérgio Reoli (Sérgio Reis de Oliveira), experimentaram a fama na medida exata da aprovação unânime do público. Os cinco jovens ainda foram além. Eles mergulharam na onda de sentimentalismo, demonstraram o sentido da real da amizade e deixaram este planeta para entrar na lista dos seres humanos mais aclamados neste país.

Toda a energia que envolveu os Mamonas Assassinas ainda é sentida pelos brasileiros. Não há quem não se recorde do fatídico março de 1996, quando esse país perdeu um dos seus maiores ícones musicais. A morte rápida ocorrida de uma forma tão estúpida, justo com um grupo que aquecia sentimentos humanos no momento de fervor da carreira, fez do ícone Mamonas Assassinas mais do que um mito intocável, pois enalteceu ao máximo a aura do fenômeno midiático.

Muitas sensações foram experimentadas pelo imaginário social, simultaneamente, sentida pela mídia e por várias famílias apaixonadas pelo grupo. O que era amor e paixão transformou-se em raiva e indignação. A morte pública foi vivenciada no momento de maior sensibilidade comum.

O espetáculo dos Mamonas Assassinas não teve final feliz. Porém, conseguiu levar eternamente a admiração do público que jamais deixou de aplaudir os atores.

Vote no Da morte ao Mito para o prêmio Vagalume 2010

Premio Vagalume 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A morte vale o preço da fama?

“Morra jovem, permaneça belo”, definiu Kurt Cobain em algum de seus escritos suicidas. O fato do fim significar o recomeço para muitas carreiras musicais já é algo que venho discutindo e estudando há algum tempo. Tudo que morre na hora em que se experimenta grande aprovação pública, se eterniza no tempo. Esse texto é um reforço de tudo que venho tentando provar nos últimos meses. Não é à toa que o nome deste blog é Da morte ao mito.

Mas para ser mito é preciso morrer? Não necessariamente. Ou melhor, ninguém precisa morrer para fazer sucesso. Pelo contrário. É preciso estar bem vivo para deixar um bom repertório e conquistar muitos fãs em sua carreira. Porém, todos aqueles que se tornam ídolos e por alguma fatalidade – ou vontade própria – morrem no auge da fama, eternizam-se no tempo. Pare e repare. Somente estes ganham especiais de televisão, capas de revistas mundiais, documentários, filmes, bibliografias e uma série de homenagens prestadas por fãs e por veículos, que sabem que conquistam um elevado número de vendas com essas publicações. (Veja postagens mais antigas)

Mas muita banda boa ainda está na ativa, você contra argumentaria. Com razão. Temos ótimos exemplos de ícones que se consolidaram no tempo por pura competência musical. Mas você há de convir que muitos desses experimentaram a carreira na temperatura morna nos últimos anos. Obviamente que isso não significa que a banda não saiba mais fazer música. Muitos fatores influenciam, como concorrência, acessibilidade e a própria inclusão digital, que faz de muitos anônimos, fenômenos na internet.

Portanto, sugiro uma simulação da morte de algumas bandas em determinados momentos e as possíveis influências destes músicos nos dias de hoje, caso isso tivesse acontecido. Por favor, não quero matar ninguém, mesmo porque, muitos da lista abaixo são meus ídolos. Quero propor apenas uma possibilidade de retorno midiático ao redor da morte.

E se Axl Rose morresse?
Com certeza centenas de milhares de fãs continuariam a seguí-lo em todas as partes do mundo, mas já pensou se isso acontecesse nas duas últimas décadas? Axl seria imortalizado, dado ao número de influência de suas músicas e do sucesso estrondoso do Guns n` roses.

- Morre Iggy pop. Essa chamada seria suficiente para ser publicada e viralizada na internet em menos de 30 minutos, para todas as partes do mundo. O ícone do rock causaria reboliço planetário devido à sua influência.

- O adeus a Anthony Kiedis. A despedida do vocalista do Red Hot Chili Peppers seria tão comovente quanto assistir ao fim da adolescência de muitas garotas. Uma das personalidades mais influentes dos anos 80, o frontman seria eternamente homenageado.

- Bruce Dickinson morre em queda de avião. Pronto. Depois de Ronnie James Dio, essa ia ser a notícia fatal para a legião metaleira de todo o mundo. Já dá até pra imaginar os documentários mostrando que o músico morrera ao lado da paixão por aeronaves.

E para você, quem seria inadmissível estar nesta lista?

Michael Jackson é a prova mais recente desta influência causada pela tragédia que se torna pública. Apontado como malfeitor por muita gente, o rei do pop morreu e provou o carisma, o perdão e ainda levou o arrependimento de muitos que se revelaram fãs depois de sua morte.

O fato de essas bandas ainda estarem vivas é uma oportunidade imensa para o público ter o privilégio de cantar ao vivo as músicas dos artistas citados acima. Porém, a hora de parar causada por uma fatalidade é uma chance ainda maior de embalsamar álbuns que ajudaram a construir a juventude de muitas pessoas, a partir da proporção de sucesso alavancada pela mídia de massa.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Novas bandas: independente por que?


As novas bandas que surgem a cada segundo nos mais variados locais do mundo são chamadas de “bandas independentes”. Mas será que essa nomenclatura condiz com a realidade?

Ok, teoricamente a terminologia faz sentido no âmbito burocrático de registro. As bandas chamadas de independentes são bandas sem vínculo com grandes gravadoras. São grupos que não estão atrelados a nenhum tipo de empresa mainstream, e usam 99% das vezes, a internet como principal meio de divulgação de seu trabalho. Sabemos também que esse mercado qualifica estilos musicais, assegura estereótipos e é uma esperança a mais para quem quer ser músico, mas não tem condições financeiras para se lançar ao público.

Não tenho nada contra as bandas independentes. Pelo contrario. Apoio, ajudo a divulgar, participo de festivais do gênero e acho até que muitas delas superam inigualavelmente ao que temos visto fazer sucesso por aí. Porém, não compartilho da ideia de que são independentes. Arrisco dizer que elas são tanto quanto (pra não dizer mais) dependentes do que as bandas “regulamentadas”.

Vamos ver porque?

As novas bandas dependem:
- De divulgação: muito mais do que os grupos que contam com apoio de gravadores, que conquistam patrocínio e a visibilidade é muito maior, graças à verba de publicidade investida;
- De reconhecimento: é muito mais difícil convencer uma pessoa a ir num festival de música nova, do que ir a um bar onde “já se conheça todas as músicas”. Muitas vezes, novas bandas conseguem sobressair a partir de covers de outros grandes grupos.
- De público: essas bandas nunca irão sair do “Lado B” se não conseguirem provar para grandes gravadoras do que são capazes;
- De argumento: não é fácil provar que “é legal estar no mercado independente”;
- De esperança: afinal, se não acreditam que um dia pode dar certo, é melhor desistir antes de montar
- E de sucesso, porque afinal, a maioria delas merece, e muito!

Será que o Brasil está pronto pra isso?

O Brasil tem público, mas não tem organização suficiente para fazer desses artistas grandes nomes nacionais. Basicamente, a situação financeira conta muito para essa divulgação. Após a revolução digital e a inclusão de qualquer pessoa na web ficou ainda mais difícil qualificar as bandas, devido à grande quantidade e à pouca qualidade do que temos visto por aí.

O brasileiro também não tem a cultura de valorizar novas coisas, se não estiver divulgado na grande mídia de massa. De quem é a culpa? Da nossa educação cultural, em primeiro lugar. Damos mais valor à reality shows do que em grandes artistas. A banalização e disseminação de programas culturais “não pensantes” acomoda o brasileiro de tal forma, que se tiver shows em praça pública de musicistas renomados, ele prefere ficar em casa assistindo à telenovela.

Muita gente gosta de dizer que “música boa é música antiga”. Será que é porque antigamente as pessoas davam mais valor ao que acabava de nascer? Grupos como Ramones, Nirvana e até o próprio Cazuza (já que estamos falando de Brasil) e outros surgidos até a década de 1990 tinham tudo pra dar errado. Eles eram rebeldes e depunham contra ao conservadorismo da sociedade. Porém, o público parava pra ouvir muitos deles, que mal tinham recursos financeiros para comprar equipamentos.

Portanto, esse texto não é para discutir simplesmente o nome independente. Proponho aqui uma reflexão que vai muito além. Novas bandas com bom potencial dependem muito mais de você empresário, gravadora, mídia e público, do que muitos grupos que tem feito a cabeça dos nossos jovens por aí.

Pensem nisso!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O rock na web: o laço mutualista volta a unir as duas “espécies”

Jornais do mundo inteiro veicularam nos últimos dias, a manchete da união Arcade Fire e Google Street. Em uma sacada que tem tudo pra dar certo, o clipe de “We used to wait” single do novo álbum da banda, “The suburbs”, traz uma ação interativa e bastante curiosa para os fãs da boa música.

O diretor Chris Milk usou os recursos do Google Maps e Google Street para fornecer uma versão personalizada ao usuário, que precisa digitar um endereço de sua escolha para assistir ao trabalho. Imagens de cenas gravadas são combinadas com imagens das ferramentas de mapa do Google. Várias janelas mostram um homem correndo e, a sensação, é de ele estar no local que foi sugerido. O clipe ainda tem uma ferramenta de interação por meio de desenho.

Essa não é a primeira vez que a banda canadense cria vídeos online interativos para divulgar suas novas músicas de trabalho. Em "Neon bible", CD de 2007, o grupo lançou clipes para "Black mirror" e "Neon bible" em que o internauta, via mouse, interferia e criava a ação do vídeo e até do volume da canção.

A combinação do rock com os recursos de tecnologia na web é uma combinação que sempre deu certo - a começar da premissa que a rede ainda é a melhor forma de divulgação de novas bandas. Quantas são as rádios web e os artistas que atualmente contam com a divulgação da internet para veiculação de suas músicas e compartilhamento de textos e comentários entre os usuários?

A popularidade hoje parte principalmente da web. As redes sociais de música são outro exemplo de que a combinação entre as duas espécies agrada a um mesmo público. Os games também não fogem desse perfil. O Guitar Hero tornou-se sensação entre os jovens de todo o mundo. Com o aparato das tecnologias modernas, até as práticas que antigamente as pessoas tinham que nascer com “dom” pra realizar, tornam-se acessíveis para qualquer um. Tocar guitarra era uma graça dos músicos dotados de muita experiência e de atitude rock n’ roll, e hoje é compartilhada por vários anônimos – o que também é bom para as bandas, que ampliam a divulgação de seu repertório a partir do envolvimento prazeroso dos fãs.

Pelas discussões que vemos por aí, nem será preciso ter um retorno do novo video do Arcade Fire, para perceber que esse será o primeiro de muitos e não só desta banda. Com o crescimento acelerado da internet, os músicos tornam-se reféns desse meio que apesar de substituir os cds, ainda é a principal fonte de divulgação de qualquer mercado.

Para assistir ao clipe interativo de "We used to wait" é preciso ter o navegador Google Chrome instalado no computador.

Veja: http://thewildernessdowntown.com/

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O fim da fama - Ou será da fama ao fim? O fantasma do suicídio de personalidades midiáticas

Para quem achava que suicídio era coisa de jovens roqueiros das décadas passadas, uma surpresa. Na última sexta feira (20/08), o vocalista do trio britânico Ou Est Le Swimming Pool, Charles Haddon, se suicidou logo após a apresentação do grupo, no festival belga de Pukkelpop.

O vocalista de apenas 22 anos escalou um poste atrás do palco principal do evento e se atirou de lá, conforme informou a polícia belga. Há especulações de que Charles sofria de ansiedade pela possibilidade da fama. O grupo já vinha sendo aclamado como uma das grandes apostas do ano, por misturarem na medida certa o rock com a música eletrônica e o pop.

Entre os mais famosos casos de roqueiros suicidas está Michael Hutchence, vocalista do grupo INXS; Ian Curtis, do grupo Joy Division; Brad Delp, do Boston; e o suposto suicídio de Kurt Cobain, do Nirvana. Coincidência ou não, todos experimentaram jovens, a pressão da fama.

Mas o que tem o rock a ver com o suicídio? Um polêmico estudo publicado em 2008 no jornal Australasian Psychiatry investigou a influência de estilos de músicas sobre adolescentes e concluiu que fãs de Heavy Metal têm uma tendência maior a sofrer de depressão a ponto de cometer suicídio. A autora da pesquisa diz que não há evidências de que o tipo de música que você ouve vá te levar a cometer suicídio, mas aqueles que são mais vulneráveis e que apresentam maior risco de se matar podem estar ouvindo certos estilos específicos.

Sendo verdade ou não, uma constante é que a fama sempre incomodou personalidades. A fúria causada entre grandes nomes da música sempre foi um prato cheio para indústria midiática. Obviamente não há como concluir o que se passa na cabeça de um suicida, mas o impacto que uma pessoa que resolve tirar a própria vida traz é medido em números.

Além de debates eternos sobre as causas do suicídio de uma pessoa pública, as homenagens, reportagens e discussões na mídia são incontáveis. A notícia de um suicídio de um famoso é eticamente privada, por influenciar a atitude de outras pessoas. Esse é um exemplo do que a “morte divulgada em massa” é capaz de causar no imaginário popular.

 Charles Haddon, da banda Ou Est Le Swimming Pool é um exemplo de que mesmo com a democratização do acesso a informação e a participação pública, a pressão da fama concentrada em uma única pessoa é um fato corriqueiro na sociedade moderna. Tudo leva a crer que ainda há um tabu para afastar o fantasma que ronda as celebridades.

Veja o video de uma das músicas do Ou Est Le Swimming Pool

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O rock e suas vertentes: o gênero criado a partir de vários outros

Hard rock, heavy, punk, grunge, pop... Os chamados “rótulos” criados para identificar bandas de diferentes estilos exemplificam uma geração moderna da música, que evolui a partir de especificações originadas de um único som.

Antigamente todos os grupos que se vestiam de preto e abusavam da guitarra em suas canções eram considerados do puro rock n’roll. Elvis Presley, Chuck Berry, Stevie Wonder, dentre tantos outros experimentaram a “novidade” na hora certa. Talvez se Elvis tivesse ficado famoso no século XXI, dificilmente seria considerado o rei do rock, por exemplo. O The Cure hoje, talvez não fosse “rotulado” como gótico, e por aí vai... Com o fácil acesso à internet e à compra de produtos, fica cada vez mais imensurável a abrangência que o rock pode atingir. As tendências mudam, as pessoas mudam e a percepção para estilos também.

Desde que nasceu, em 1950, o rock tinha suas raízes fundamentadas no rock and roll e no rockabilly que evoluiu do blues, da música country e do rhythm and blues, entre outras influências musicais que ainda incluem o folk, o gospel, o jazz e a música clássica. Todas estas influências combinadas em uma simples estrutura musical baseada no blues que era "rápida, dançável e pegajosa".

No final dos década de 1960 e início dos anos setenta, o rock desenvolveu diferentes subgêneros. Quando foi misturado com a folk music ou com o blues ou com o jazz, nasceram o folk rock, o blues-rock e o jazz-rock respectivamente.

Na década de 1970, o rock incorporou influências de gêneros como a soul music, o funk e de diversos ritmos de países latino-americanos. Ainda naquela década, o rock gerou uma série de outros subgêneros, tais como o soft rock, o glam rock, o heavy metal, o hard rock, o rock progressivo e o punk rock. Já nos anos 80, os subgêneros que surgiram foram a New Wave, o punk hardcore e rock alternativo. E na década de 1990, os sub-gêneros criados foram o grunge, o britpop, o indie rock e o nu metal.

Até hoje surgem novos estilos. Alguém aí já ouviu falar no novo rock? Milhares de bandas pipocam em todo o mundo trazendo estilos novos de se tocar guitarra. O Brasil é um grande exemplo disso. A cada geração, uma nova banda para se adorar. Isso sem contar o estilo rocker que acompanha diferentes idades, ditando moda, comportamento e novas tendências.

Há quem viveu a adolescência das boites e do rock and roll at night, a época dos skatistas, dos metaleiros, dos cabeludos, do emo, do hard, e há quem integre até hoje o clube dos motoqueiros, que é composto por “tiozões radicais” banhado a muito rock!

O que importa é que no fim das contas, mesmo não sendo o mesmo som, o rock une gerações, marca décadas, constrói experiências e compõe vidas repletas de atitude!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Top 10 – Coisas que o rock pode implantar na sua vida

Além da música, o rock n`roll pode agregar muito mais pra vida das pessoas. Existem os fanáticos que nem saem de casa para assistir um programa de TV, ou aqueles que fazem qualquer loucura pra ver a banda favorita. Portanto, para o seu pai ou para o seu chefe que insistem em dizer que o rock não traz nada pra sua vida, esse artigo é pra eles.

Rock é um termo abrangente que define o gênero musical popular que se desenvolveu durante e após a década de 1950. O som do rock muitas vezes gira em torno da guitarra elétrica ou do violão e utiliza um fortebackbeat (contratempo) estabelecido pelo ritmo do baixo elétrico, da bateria, do teclado, e outros instrumentos como órgão, piano, ou, desde a década de 1970, sintetizadores digitais. Junto com a guitarra ou teclado, o saxofone e a gaita (estilo blues) são por vezes utilizados como instrumentos solo.

Se você se identifica com essas características, com certeza vai se encontrar na lista abaixo.

O que você já ganhou ou ainda pode ganhar com o rock:

Cabelo - Muito. Quanto mais, melhor. Todo roqueiro que se preze já teve ou quis ter o cabelo comprido. Essa é uma experiência única, que pode revelar personalidade, rebeldia, alguma fase da vida ou mesmo boas fotos para os filhos, netos... “Olha o papai quando era cabeludo”...

Conhecimento geográfico e cultural – “A banda fica na Costa Sul da Oceania. Nesse lugar, na região do oeste existem mais de 6.000 variedades de flores”. Se não fosse pelo rock, alguma vez você saberia da existência desse local ou desta cultura?

Leitura – Se você é um autêntico roqueiro deve ter lido no mínimo uns cinco livros de biografia do seu ídolo. Isso sem contar revistas, sites e o constante hábito de usar a internet para fazer busca de discografias.

Turismo – “Vale tudo para ver o show da melhor banda do mundo”. Com certeza você já pensou isso alguma vez. Portanto, o rock sempre foi uma boa desculpa pra te tirar de casa e te fazer viajar kilometros de distância para ver “o show” da sua vida.

Vida social – Existe show de rock sem mosh? Nãããão. Portanto, se você não tem a sua galera do rock, com certeza encontra pessoas malucas com objetivos semelhantes em eventos do gênero.

Moda – Vestimenta tipicamente preta, camisas de banda, acessórios pontiagudos, coturnos, tênis rasgados, piercings, tattos... Enfim, quando você começou a gostar de rock com certeza já foi identificado na rua como tal. Ah, e não é estereotipo não, mas é tipicamente característico do estilo.

Informações técnicas musicais – Com certeza você sabe definir o melhor riff da guitarra, o melhor solo ou a melhor “pegada rock `n roll”. Dificilmente o roqueiro sai de um show sem comentar os critérios técnicos apresentados.

Capacidade de oratória – “Quem falou que essa banda é rock? Rock mesmo é essa aqui”... Esse debate é comum entre os rockers. Nunca se viu tanto argumento junto quando é para discutir opiniões sobre uma banda ou outra.

Liberdade – Quem nunca se sentiu livre por ouvir sua música favorita no talo, sem ninguém pra incomodar? Se ainda não fez isso, experimente e depois conte pra alguém o significado da liberdade.

E até emprego... Muitas pessoas começam a trabalhar porque show de rock não é barato. Show internacional então, sem comentários. O tempo passa, o pai para de bancar e hora de contar com outro fornecedor de ingressos: o patrão.

Portanto, por mais que falem que não agrega valores, o rock te deu cultura, informação, estilo, responsabilidade, amigos e com certeza, os melhores momentos da sua vida!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O autógrafo de uma fã

Era primavera de 2000 quando Alice já se encontrava inquieta na sala de aula, com fome e vontade de ir embora pra casa. Sabe aquela terça-feira de pura nostalgia, típica de anteceder a frase: “O que eu fiz para ser obrigada a ficar assistindo show de talentos na escola”? Pois bem. Já de cabeça baixa na mesa, contando os segundos para aquele bendito sinal tocar, Alice ouviu um violão baixinho. Ainda sonolenta levantou a cabeça para tentar identificar a canção.

Não sei que música é essa, pensou. Queria perguntar alguém, mas do lado só viu garotas conversando sobre a festa do fim de semana, e que assim como ela, estavam interessadas em qualquer coisa que não fosse a apresentação dos colegas. Alice parou para ouvir toda a música. Enquanto Luis tocava o violão, Guilherme cantava, desafinado, a letra em inglês. Muito tímida, Alice não conversava com os garotos. Preferiu ficar na sua. Naquela época não tinha internet banda larga disponível, portanto nem tinha como procurar mais informações na internet.

Chegou em casa, foi passando os canais da televisão para ver se ouvia a tal música. Só pode

ser de alguma novela, pois me parece muito familiar, contou para a mãe enquanto almoçavam. Nada.

Duas semanas depois, Alice viu um CD na mão de Luis (o do violão). Por sorte, ele deixou cair perto dos pés dela, o que a fez ter coragem para perguntar que banda era aquela. Educadamente, ele agradeceu por ela ter se abaixado para pegar o CD e respondeu rapidamente: “Esses são os Red Hot Chili Peppers”. Para não se fazer de desentendida, Alice disse que já conhecia a banda. Para a sorte dela, Luis completou “Esse CD é o Californication, que é a música que apresentamos no show de talentos”. Com os olhos brilhantes, Alice não temeu e rapidamente retrucou: Jura? Estava atrás desta música desde que ouvi vocês tocarem. Luis a ofereceu emprestado. Ela, claro, aceitou.

Foi só chegar em casa para ouvir o CD inteiro, de trás pra frente, acompanhando as letras. No mesmo dia Alice saiu para comprar uma fita cassete e gravar todas as músicas. Começou a assistir MTV e no fim de semana conseguiu gravar o clipe de Californication. Foram dois dias vendo repetitivamente o mesmo video. Juntou dinheiro, comprou o CD original. Por sorte, estava perto do seu aniversário e pediu aos seus pais para que te dessem outro CD da banda. Em apenas um mês Alice já tinha pôsteres, camisas e um vídeo com 8h seguidas dos RHCP. Ela e Luis trocavam materiais e um foi ajudando a completar a coleção do outro – Luis mais do que ela, porque já conhecia a banda há mais tempo.

Num sábado a tarde seus pais a chamaram para viajar e Alice recusou, pois na TV iria passar um especial de 2h com os Red Hot. Essa é fã, viu?!, resmungou a mãe. Aquela frase mudou a vida de Alice e ela se deu conta que realmente era fã! Tem noção do que é isso? Deixo de ser Alice para ser fã de uma banda. E assim fez. Sempre que conhecia uma pessoa nova, se apresentava como Alice, fã de RHCP – o que nem era difícil perceber, pois ela só andava com as camisas da banda.

Até aí são flores. O sofrimento da fã Alice começou quando sabia que os Chili Peppers viriam ao Brasil, pra cidade do Rock, nas férias. Perfeito, se ela pudesse ir ao show. Tinha apenas 13 anos e não tinha um tio, vizinho ou amigo dos pais que a pudessem levar. Ou seja: o jeito foi ver tudo pela TV, sofrendo como uma louca. O lado bom da trágica apresentação da banda (para Alice) foi que ela viu outros shows e percebeu que podia ir além. Alice encantou-se principalmente pelo Silverchair, que havia tocado na mesma noite que os Red Hot.

Pronto. Dali em diante, tudo quanto era cabeludo que tocasse guitarra agradava a pequena Alice. E assim perdurou por anos. O último grande ídolo foi Kurt Cobain. Alice sentiu-se comovida pela história do músico, estudou sobre o suicídio, quis saber mais da morte, do Nirvana. Passaram-se os anos e ela levou a brincadeira a sério. Na faculdade, estudou sobre a morte de personagens midiáticos e usou Cobain como personagem principal da pesquisa.

Alice foi estudar música, formou em letras, visitou Seattle, pós graduou em cinema, dirigiu um curta sobre ídolos do rock e não tão distante da sua realidade, resolveu escrever um livro resumindo sua experiência histórica com o mundo da música.

No dia do lançamento de seu livro, uma surpresa. Os Red Hot passariam pelo seu país. Cheia de amigos influentes no meio musical, devido ao curso de cinema, Alice teve a surpresa de ver o vocalista da banda na noite de seu lançamento. Naquele dia, foi ela quem deu o autógrafo. Ainda achando que era um sonho, ela foi pra casa na certeza de que aquele poderia ser o último dia de sua vida. Alice chegou em casa, dormiu realizada e experimentou o que somente um fã pode entender.

sábado, 7 de agosto de 2010

Rock Baby

Quem será essa criança gorducha?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Rammstein: o ícone alemão chega ao Brasil

Depois da confirmação do show da banda Rammstein no Brasil em novembro deste ano, o Rock Wall não poderia deixar passar em branco a boa notícia. Os alemães fazem (até o momento) uma apresentação única em São Paulo, no dia 30 de novembro (terça-feira).  A coluna dessa semana não fala especificamente de um ícone, mas de seis artistas que fizeram com que a sua música se tornasse uma das mais ouvidas e respeitadas de todo o mundo, quebrando barreiras do pólo de concentração musical da América do Norte.

O ícone da vez é a música do Rammstein, que provoca arrepios a quem ouve pela primeira vez o alemão grave cantando por Till Lindemann, acompanhado das guitarras de Richard Z. Kruspe e Paul Landers, a bateria de Christoph Doom Schneider, alinhada ao baixo de Oliver Riedel e ao teclado de Christian “Flake” Lorenz. O ritmo? Uma mistura de Metal Industrial e Tanz Metal (ou Dance Metal, em Inglês). O Metal Industrial configura um estilo que mistura elementos da música industrial e do heavy metal.

O Rammstein surgiu em 1994 após uma conturbada Alemanha vivida por Richard Z. Kruspe (seu fundador) que viveu as mudanças territoriais causadas pela queda do muro de Berlim. Segundo o site www.rammsteinfan.com.br, o nome da banda surgiu a partir de uma tragédia que envolveu uma colisão de jatos italianos, ocorrida na cidade de Ramstein. Eles acrescentaram mais um “M” no nome e batizaram o grupo como Rammstein, que também foi título da primeira música deles.

Cada álbum que o Rammstein lança é diferente do anterior, não mantendo um estilo único. Apesar da banda demonstrar brutalidade na sua imagem, há senso de humor e protesto político nas letras. Algumas letras estão escritas de maneira dúbia, passíveis de terem dupla interpretação, podendo dizer que o sentido da letra varia segundo o ouvinte.

O Rammstein conquistou seu espaço pela qualidade musical em longo tempo de estrada. Somente de premiações, a banda já levou os títulos mais importantes do mundo, como: MTV Europe Music Awards: Melhor grupo alemão; World Music Awards: Artista alemão de melhores vendas (pelo álbum Liebe Ist Für Alle Da);  Metal Hammer: Melhor canção (Mein Teil); Emma Gaal: Melhor grupo internacional, dentre outros.

O site www.rammsteinfan.com.br divulgou recentemente uma nota oficial dos organizadores da turnê “Liebe ist für alle da World Tour”, que envolve apresentação da banda pelo Brasil no fim desse ano.  Por enquanto existe apenas uma data confirmada. Veja informações abaixo:

RAMMSTEIN “Liebe ist für alle da” World Tour
Data: 30 de Novembro de 2010
Local: Via Funchal – São Paulo
Ingressos: R$ 200 (pista), R$ 220 (mezanino) e R$ 300 (camarote)
Classificação etária : Livre
Vendas a partir de 7 de agosto de 2010: www.viafunchal.com.br Tel: (11) 21445444

Veja também: The Rock Wall

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os ícones e os símbolos. O que representa a sua banda favorita?


O termo símbolo, no dicionário, designa um elemento representativo que está em uma realidade visível em lugar de algo (realidade invisível) que tanto pode ser um objeto como um conceito ou ideia, determinada quantidade ou qualidade. O "símbolo" é um elemento essencial no processo de comunicação, encontrando-se difundido pelo cotidiano e pelas mais variadas vertentes do saber humano. Embora existam símbolos que são reconhecidos internacionalmente, outros só são compreendidos dentro de um determinado grupo ou contexto (religioso, cultural etc).

Ícone, para a Semiologia, é uma imagem que mantém com um determinando objeto uma relação de semelhança ou propriedade. Um ícone é uma abstração de algo que é do nosso conhecimento e apresenta pelo menos um traço em comum com o objeto representado.

E o que esse papo semiótico tem a ver com o rock? Se o ícone é uma abstração do nosso conhecimento e o símbolo é a representação do que nos é visível, nada melhor do que um bom símbolo para representar uma banda que é ícone, certo? Certíssimo! Nosso cérebro sabe associar imediatamente a imagem simbólica daquilo que nos marca ou que é (ou já foi) comum para nós um dia.

O rock sempre utilizou essa ferramenta para consolidar a sua marca entre o público. O símbolo de uma banda representa mais do que a identidade dela. Pode significar muitas coisas, como o nascimento do grupo, o estilo musical, uma representação de uma seita, letra da música etc. Em alguns casos, somente os integrantes sabem o significado verdadeiro desses símbolos.

No caso do rock, a discussão do símbolo envolve mais do que uma representação musical. Faz parte da tribo urbana dos roqueiros ter tatuagens espalhadas pelo corpo. Aos fãs da boa música, não há inspiração melhor do que homenagear os ídolos através de tatuagens com o símbolo de suas bandas favoritas.

Os símbolos são utilizados para estampar camisetas, inventar adesivos, marcar bumbos de baterias, gravar carteiras, chaveiros cds etc. o fato é que o símbolo de uma banda pode ser tão inesquecível quanto o seu maior single.

Abaixo, alguns exemplos dos símbolos mais representativos do rock:



 Veja mais símbolos em The Rock Wall

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Se o rock fosse uma propaganda, qual você compraria?

Além da teoria das tribos urbanas e do conceito técnico do que é ou não uma música bem feita, o rock sempre foi uma das máximas da indústria cultural do consumo. E não é só na vertente musical. Muitos são os artistas que compõe trilhas sonoras para o cinema, teatro, dança, e tem aqueles que até se arriscam na arte de interpretar.

Pois bem. Parte da indústria cinematográfica e musical, o videoclipe é explicitamente a “alma do negócio”. Muitas vezes é ele que lança uma música, uma banda/artista, um disco ou até sustenta canais de televisão. De acordo com a revista Universitária de Audiovisual, os videoclipes comerciais incorporaram os avanços de linguagem e mídia. Artistas como Madonna e Michael Jackson – ambos nascidos em 1958 – que já completaram 50 anos de idade continuam ativos em suas carreiras utilizando o videoclipe e seus desdobramentos. Houve uma ampliação da exibição de videoclipes em emissoras (broad e narrowcasting) e programas especializados, além da utilização de outras mídias impressas e eletrônicas.

Na prática, o videoclipe vende mais do que a música/banda. Ele vende produtos fantasiosos, que ficam no imaginário do telespectador. Há certos objetos que viram ícones de uma banda, simplesmente por a representarem em um videoclipe.

Vamos a prova:

- Quem nunca associou a imagem da mini caixa de leite ao clipe Coffee and TV do Blur?
- Vai dizer que você nunca teve vontade de jogar o videogame do clipe Californication do Red Hot Chili Peppers?
- Nem é preciso falar que todo mundo queria ter o satânico Eddie, do Iron Maiden, né?
- Ver um porco rosa voando é a mesma coisa de dizer: “Olha, o The Wall do Pink Floyd”. Vai negar?
- Meninos, admitam. Aposto que vocês sonhavam com a boneca inflável Rose (da música Whole Lotta Rosie) do ACDC.

Enfim, se o rock aliado ao videoclipe tivesse por objetivo vender ícones representativos, qual você compraria?

Seu objeto de consumo não está na lista? Sugira no site The Rock Wall e aproveite para ver os videos de todos esses produtos "criados" pelas bandas listadas.