Se você já assistiu o clipe Otherside, sem dúvida já viu os marcantes traços do cinema europeu. Dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, o clipe em preto e branco/monocromia é semelhante ao estilo gótico de O gabinete do doutor Caligari de Robert Wiene, todo influenciado pelo expressionismo alemão.
O clipe foi lançado em 2000 e ilustra a 4ª faixa do álbum clássico do grupo, Californication.
Red Hot Chili Peppers - Otherside por T_Thunder no Videolog.tv.
Durante a década de 1920, o cinema na Alemanha se destacou em um movimento vanguardista que ficou conhecido como Expressionismo Alemão. Foi quando, influenciado pelas correntes artísticas da época, começou-se a pensar na direção de arte dos filmes. Os cenários e figurinos de fato faziam parte da narrativa, não apenas como objetos em segundo-plano, como no famoso O Gabinete do Dr. Caligari (1920).
O visual do clipe lembra bastante Caligari e a referência visual ao Expressionismo é explícita, embora traga elementos das outras vanguardas, como o Surrealismo e o Cubismo. A escada sem fim mostrada no clipe e a desproporção de elementos comuns como fio de alta tensão gigante e asa/boca voadora, reforçam essa tendência.
O roteiro revela a saga do protagonista pelos cenários cinzentos de seu sonho, enquanto os músicos da banda – todos vestidos de preto – estão isolados um do outro tocando seus instrumentos improvisados.
A novidade não é a música apropriar-se da arte do cinema, mas um álbum totalmente hollywoodiano valorizar o cinema europeu com traços especificamente demarcados. Vindo dos Red Hot Chili Peppers, a qualidade musical e visual é praticamente inquestionável.
Esse blog tem por objetivo discutir temas e levantar hipóteses sobre a cobertura da morte de ídolos midiáticos. Aqui serão retratados, principalmente, a morte e a criação dos mitos da música, e a comoção criada pela mídia em virtude deste acontecimento público. Além dos posts, são aceitos artigos relacionados ao tema, bem como sugestões de personalidades.
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sábado, 5 de novembro de 2011
domingo, 12 de junho de 2011
Apropriação de problemas públicos em videoclipes
Assistindo ao novo clipe do Foo Fighters, onde o cantor/compositor/baterista e ator (porque não?) Dave Grohl encarna um dia de fúria, percebi que tratar de temas cotidianos tem aproximado cada vez mais, os artistas do público.
No video, Dave vive situações cotidianos, como stress no trânsito, assalto em praças públicas e intolerância perante à sociedade.
Obviamente essa não é uma novidade lançada pelo Foo Fighters, que a propósito, já fez outros videoclipes com a mesma temática. Em terras brasileiras, a banda O Rappa é líder em produzir músicas e vídeos com questões sociopolíticas como forma de protesto e demonstração da realidade.
Mesmo ainda não sendo uma questão em alta na discussão midiática, o Pearl Jam aborda o bullying no clipe de Jeremy. O personagem se matou com uma arma de fogo na frente de seus colegas e da professora na sala de aula na Richardson High School (Richardson, Texas). Jeremy era apontado como um ótimo garoto, mas muito solitário. Sofreu bullying por muito tempo.
Quem não se lembra do engraçadíssimo clipe feito pelo Blink 182 para criticar All those Smalls Things, defendidas por cantores e sustentada por escolas norte americanas?
Enfim, dentre tantos outros, podemos destacar os videoclipes como mais uma mídia que é retrato da realidade, com a diferença de que estão dispostos a fazer críticas, sem maquiar as produções. O resultado? A audiência incontável, que encontra na música, apoio para sua indignação.
Fazem bem esses músicos atores!
No video, Dave vive situações cotidianos, como stress no trânsito, assalto em praças públicas e intolerância perante à sociedade.
Obviamente essa não é uma novidade lançada pelo Foo Fighters, que a propósito, já fez outros videoclipes com a mesma temática. Em terras brasileiras, a banda O Rappa é líder em produzir músicas e vídeos com questões sociopolíticas como forma de protesto e demonstração da realidade.
Mesmo ainda não sendo uma questão em alta na discussão midiática, o Pearl Jam aborda o bullying no clipe de Jeremy. O personagem se matou com uma arma de fogo na frente de seus colegas e da professora na sala de aula na Richardson High School (Richardson, Texas). Jeremy era apontado como um ótimo garoto, mas muito solitário. Sofreu bullying por muito tempo.
Quem não se lembra do engraçadíssimo clipe feito pelo Blink 182 para criticar All those Smalls Things, defendidas por cantores e sustentada por escolas norte americanas?
Enfim, dentre tantos outros, podemos destacar os videoclipes como mais uma mídia que é retrato da realidade, com a diferença de que estão dispostos a fazer críticas, sem maquiar as produções. O resultado? A audiência incontável, que encontra na música, apoio para sua indignação.
Fazem bem esses músicos atores!
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
Se o rock fosse uma propaganda, qual você compraria?
Além da teoria das tribos urbanas e do conceito técnico do que é ou não uma música bem feita, o rock sempre foi uma das máximas da indústria cultural do consumo. E não é só na vertente musical. Muitos são os artistas que compõe trilhas sonoras para o cinema, teatro, dança, e tem aqueles que até se arriscam na arte de interpretar.
Pois bem. Parte da indústria cinematográfica e musical, o videoclipe é explicitamente a “alma do negócio”. Muitas vezes é ele que lança uma música, uma banda/artista, um disco ou até sustenta canais de televisão. De acordo com a revista Universitária de Audiovisual, os videoclipes comerciais incorporaram os avanços de linguagem e mídia. Artistas como Madonna e Michael Jackson – ambos nascidos em 1958 – que já completaram 50 anos de idade continuam ativos em suas carreiras utilizando o videoclipe e seus desdobramentos. Houve uma ampliação da exibição de videoclipes em emissoras (broad e narrowcasting) e programas especializados, além da utilização de outras mídias impressas e eletrônicas.
Na prática, o videoclipe vende mais do que a música/banda. Ele vende produtos fantasiosos, que ficam no imaginário do telespectador. Há certos objetos que viram ícones de uma banda, simplesmente por a representarem em um videoclipe.
Vamos a prova:
- Quem nunca associou a imagem da mini caixa de leite ao clipe Coffee and TV do Blur?
- Vai dizer que você nunca teve vontade de jogar o videogame do clipe Californication do Red Hot Chili Peppers?
- Nem é preciso falar que todo mundo queria ter o satânico Eddie, do Iron Maiden, né?
- Ver um porco rosa voando é a mesma coisa de dizer: “Olha, o The Wall do Pink Floyd”. Vai negar?
- Meninos, admitam. Aposto que vocês sonhavam com a boneca inflável Rose (da música Whole Lotta Rosie) do ACDC.
Enfim, se o rock aliado ao videoclipe tivesse por objetivo vender ícones representativos, qual você compraria?
Seu objeto de consumo não está na lista? Sugira no site The Rock Wall e aproveite para ver os videos de todos esses produtos "criados" pelas bandas listadas.
Pois bem. Parte da indústria cinematográfica e musical, o videoclipe é explicitamente a “alma do negócio”. Muitas vezes é ele que lança uma música, uma banda/artista, um disco ou até sustenta canais de televisão. De acordo com a revista Universitária de Audiovisual, os videoclipes comerciais incorporaram os avanços de linguagem e mídia. Artistas como Madonna e Michael Jackson – ambos nascidos em 1958 – que já completaram 50 anos de idade continuam ativos em suas carreiras utilizando o videoclipe e seus desdobramentos. Houve uma ampliação da exibição de videoclipes em emissoras (broad e narrowcasting) e programas especializados, além da utilização de outras mídias impressas e eletrônicas.
Na prática, o videoclipe vende mais do que a música/banda. Ele vende produtos fantasiosos, que ficam no imaginário do telespectador. Há certos objetos que viram ícones de uma banda, simplesmente por a representarem em um videoclipe.
Vamos a prova:
- Quem nunca associou a imagem da mini caixa de leite ao clipe Coffee and TV do Blur?
- Vai dizer que você nunca teve vontade de jogar o videogame do clipe Californication do Red Hot Chili Peppers?
- Nem é preciso falar que todo mundo queria ter o satânico Eddie, do Iron Maiden, né?
- Ver um porco rosa voando é a mesma coisa de dizer: “Olha, o The Wall do Pink Floyd”. Vai negar?
- Meninos, admitam. Aposto que vocês sonhavam com a boneca inflável Rose (da música Whole Lotta Rosie) do ACDC.
Enfim, se o rock aliado ao videoclipe tivesse por objetivo vender ícones representativos, qual você compraria?
Seu objeto de consumo não está na lista? Sugira no site The Rock Wall e aproveite para ver os videos de todos esses produtos "criados" pelas bandas listadas.
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