Um grande reboliço e revolta por parte dos fãs e de antigos músicos tem rondado a incerteza de qual será o caminho do rock daqui a uns anos. No Brasil, principalmente. As últimas semanas deram o que falar com a premiação dos “melhores músicos”, segundo a audiência de canais de música como MTV e Multishow. O público votou e os ‘mais antigos’ se rebelaram ao ver que o que faz a cabeça da garotada atualmente são bandas que muito mais interpretam papéis do que fazem um barulho cru, como nas últimas décadas.
Como abordei no último texto, talvez os Mamonas Assassinas tenham sido o grande e último ícone do rock brasileiro. Não me posiciono contra as bandas de hoje em dia, porque devem ter algum potencial para conquistar tantos adolescentes - também não conheço para julgar. De qualquer forma, há de se reconhecer que há muito tempo não vemos boas bandas nascerem em terras brasilianas.
Mas por que será? O brasileiro não sabe mais fazer música? Não. Claro que não. Como eu também já reiterei, acompanho o movimento de bandas independentes e tenho ouvido muito som bacana por aí. Porém, na minha opinião, há uma série de fatores que influenciam. Na sociedade globalizada, a aparência conta muito. Na era da convergência de mídias, quem faz o som parecido com a novelinha da TV tem grande chance de sobressair. Ao mesmo tempo, quanto mais mobilizar na internet, mais notoriedade. A inclusão digital também é grande possibilitadora para emergência desse campo.
Em contrapartida não há como negar que os novos sons que tem estourado não tem agradado a todos. Só o fato de uma premiação causar tamanho alarde, prova que os gostos estão muito bem delimitados e que muitos brasileiros já desiludiram de esperar coisas (boas) novas. O principal argumento para isso é que os pubs e casas de show espalhados pelo Brasil trazem em sua maioria, covers de bandas antigas como atração principal. “É o que vende”, defende muitos proprietários. Mas vale lembrar que o consumidor compra aquilo que é melhor.
Vale ressaltar também, que a crise musical não está só aqui. Quantos são os gringos que estão vindo à América do Sul para fazer shows até então históricos no Brasil? Isso é uma prova do que o antigo vende e é o que as pessoas querem ouvir. O que dá a entender é que há uma carência do público e das próprias bandas em ver antigos hits lotarem suas apresentações. Até essas bandas se perdem na hora de gravar novos álbuns. Já não se sabe mais o que irá vender e agradar a massa.
Ainda há uma polêmica em torno disso: será que hoje em dia os músicos tem criado bandas apenas para vender? Será que a qualidade musical tem ficado pra trás? O que é qualidade no rock atualmente?
É um longo debate. E é polêmico. O que eu acho? Sinceramente, tenho saudade dos antigos sons e acredito que muitos ainda mereçam estourar e abocanhar bons prêmios por aí...
Esse blog tem por objetivo discutir temas e levantar hipóteses sobre a cobertura da morte de ídolos midiáticos. Aqui serão retratados, principalmente, a morte e a criação dos mitos da música, e a comoção criada pela mídia em virtude deste acontecimento público. Além dos posts, são aceitos artigos relacionados ao tema, bem como sugestões de personalidades.
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terça-feira, 28 de setembro de 2010
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