segunda-feira, 17 de maio de 2010

Dio – Mais Heaven do que Hell

Foi sendo um dos seres mais ‘diabólicos’ do heavy metal, que Ronnie James Dio deixa eternamente a sua marca neste planeta em que se destacou pelo seu talento e por suas atitudes.  O ícone do rock morreu na manhã deste domingo (16), aos 67 anos, de câncer no estômago.

Dio se apresentou com Elf, Rainbow, Black Sabbath, Heaven & Hell, e sua própria banda, Dio. Ele foi aclamado como um dos cantores mais poderosos do heavy metal, conhecido por sua voz poderosa e consistente e pela popularização dos "chifres do diabo", gesto com a mão na cultura de metal. Sim, o documentário "Metal - a headbangers journey" cita Dio como um dos inventores do "chifrinho" feito com as mãos, imitado por fãs do gênero no mundo inteiro. Segundo ele, o símbolo era usado por sua avó italiana, e servia para afastar (ou provocar) o "mau olhado". Segundo o próprio vocalista, ele não foi o inventor mas provavelmente fez com que o símbolo se popularizasse no meio do rock.

Em sua discografia e biografia, Dio apresenta-se como um dos mais poderosos e difusores da imagem “diabólica” do metal. Em suas letras, estão as mais assustadoras canções, que falam sobre inferno, alma penada, medo, dentre outras fúrias que são descarregadas nos pesados riffs, que lideraram durante anos, a lista dos “melhores álbuns de rock da humanidade”. 

No Brasil, Dio já veio para tocar junto com Bruce Dickinson, Jason Bonham Band e Scorpions, em 1997. Exatamente a um ano de sua morte, no dia 16 de maio de 2009, o músico se apresentou em São Paulo.

Como prova de sua influência na música, antes de morrer, Dio já era protagonista de sete grandes tributos: Awaken the Demon: Tribute to Dio (1999), Hell Rules Vol. 1 (1999), Hell Rules Vol. 2 (2000), Holy Dio (Nacional) (2000) *CD Simples, Holy Dio (Japonês) (2000) *CD Duplo, Catch The Rainbow - Atribute to Rainbow (2000), Evil Lives (2004). Já imaginou quantos títulos serão lançados sobre a carreira do músico somente em 2010? Inimaginável, incontável e totalmente merecido. 

Muitos se emocionaram com a divulgação da morte, feita por sua esposa Wendy, no site oficial do músico: “Hoje meu coração está partido, Ronnie se foi às 7h45”. Muitos de nossos amigos e familiares puderam se despedir antes que ele se fosse em paz. Ronnie sabia que era muito amado por todos”. Wendy está certa. O ícone fez sucesso e conquistou a admiração de fãs de várias gerações, que a partir desta data, passam a eternizar a figura de Dio.

Embora tenha feito sucesso por seu posicionamento diabólico, Dio consolidou sua imagem no âmbito de “Deuses do rock”. E não foi só pela sua influência musical, mas por suas atitudes. Casou-se, adotou um filho, organizou shows em prol do fim da miséria na África, cuidou de sua saúde até o fim, e preocupou-se, com a mais absoluta certeza, em agradar a sua imensidade de fãs, em suas canções, shows, discos e relacionamentos. E como afirmou Wendy, ele se foi, sabendo de seu apreço e que sua imagem jamais seria esquecida.

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Dave Grohl: o homem que nasceu para música

Nem é preciso conhecer todo o portifólio dele para saber que por onde passa faz sucesso. Além de multinstrumentista, Dave Grohl é uma das figuras consideradas “a cara do rock n’ roll” desse e dos últimos tempos.

Desde os dezesseis anos Grohl já chamava atenção. O prodígio começou a carreira de baterista em 1980 na banda Scream. Um pouco mais tarde, o garoto descobriu que não era ninguém menos do que o baterista que o Nirvana precisava. Apesar dos problemas vivenciados na banda que liderou o movimento grunge na década de 1990, Dave foi um dos destaques que fizeram de Kurt Cobain e sua música, uma das bandas mais respeitadas do mundo.

Com a morte de Cobain e o fim do Nirvana, Dave tratou logo de montar outra banda. E foi gravando fitas com músicas em que ele próprio compunha e tocava todos os instrumentos, que ele chamou a atenção das gravadoras que apostaram em seu sucesso e incentivaram a formação do Foo Fighters, que diga-se de passagem, é uma das bandas mais respeitadas da atualidade.

Somente em prêmios, Dave e a trupe do Foo Fighters já faturaram como melhor Banda do Ano do Classic Rock Roll Of Honour, onde concorriam com pesos pesados – Def Leppard, Whitesnake, Kiss e outros; levaram o título do Grammy como melhor álbum do rock, e até a cidade de Warren (onde Dave nasceu), no Estado de Ohio, norte dos Estados Unidos, resolveram trocar o nome da Market Alley para Dave Grohl Alley, numa justa homenagem ao filho mais ilustre.

E para quem pensa que ter duas renomadas bandas no currículo já basta, para Grohl sempre foi diferente. Enquanto se ocupa no Foo Fighters, o músico movimenta projetos paralelos. Em 2002 Dave participou do CD "Songs For The Deaf" da banda Queens of the Stone Age tocando bateria e fazendo alguns shows. Ele também participou do filme "Tenacious D, a palheta do Destino" e no clipe "Tribute" da banda Tenacious D, formada por Jack Black e Kyle Gass, fazendo o papel do demônio no filme, além de participar como baterista de todo o álbum The Pick of Destiny.

Em 2004, ele lançou o Probot, projeto que reuniu grandes nomes do metal e ídolos de Dave Grohl, como Lemmy (Motörhead), Max Cavalera (Sepultura, Soulfly), Cronos (Venom) entre outros para gravar um álbum com onze faixas, lançado pela Southern Lord Records.

No ano passado, junto com John Paul Jones (Led Zeppelin) e Josh Homme (Queens of the Stone Age), Grohl formou a banda Them Crooked Vultures, na qual ele toca bateria.

 Para comprovar a competência do rapaz, Dave já foi convidado para tocar com os músicos mais importantes do mundo, sendo em shows ou participações em programas, dentre eles: Bruce Springsteen, Chris Martin, David Bowie, Eagles of Death Metal, Eddie Vedder, Gnarls Barkley, Jack White, Jimmy Page, John Paul Jones, Juliette Lewis, Lars Ulrich, Lemmy Kilmister, Paul McCartney, Peter Frampton, Queen, Rush, Queens of the Stone Age, Red Hot Chili Peppers, R.E.M, Serj Tankian, Tenacious D, The Prodigy, Tom Petty & The Heartbreakers, Max Cavalera, dentre outros.

Quando questionado sobre direitos autorais sobre as músicas do Nirvana, Dave simplesmente responde: “a banda acabou e para sempre aquela música vai estar lá. Em alguns momentos pouco me importa quem controla a caixa registradora. Eu vou sempre ser o cara que tocou bateria naquela banda, e para mim isso é mais importante do que controle, poder, dinheiro ou o que quer que seja”, declarou o modesto rapaz em entrevista para MTV. Tanto glamour combinado com ‘humildade’ nos leva a crer que Dave não precisa se envolver em escândalos, nem criar polêmica no caso Kurt Cobain, muito menos exigir dinheiro para se tornar reconhecido. Tanta competência pode ser facilmente notada em seus discos.

Seja como baterista, vocalista ou guitarrista, Dave Grohl sustenta-se como um grande nome do rock n’ roll e prova que se não fosse para música, talvez não teria nascido para outra coisa.

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terça-feira, 4 de maio de 2010

Ramones: vida e morte de uma das bandas mais influentes do rock

Imagine uma banda que teve início nos anos de 1970 e que precisava tocar músicas de outros artistas para conquistar a notoriedade, porém seus integrantes simplesmente não conseguiam, por ter um conhecimento musical limitado. Esses eram os Ramones, que logo de cara preferiram compor e lançar suas próprias músicas.

O texto desta semana não diz respeito a uma pessoa especificamente, mas sobre uma banda, que ganhou reconhecimento por sua originalidade, personalidade e autenticidade. Depois que I Don't Wanna Walk Around With You foi escrita no primeiro ensaio, e após assistir poucas apresentações da banda em público, a gravadora Sire Records apostou no trabalho dos rapazes e transformou os Ramones na banda percussora do punk e uma das mais influentes da história do rock.

Ao longo de seus 22 anos de existência, os Ramones totalizaram 2.263 apresentações ao redor do mundo. Além de conquistar público, os meninos de Nova Iorque ganharam a admiração de fãs que acompanharam e repassaram o sucesso do grupo para as mais novas gerações.

O fim dos Ramones foi trágico, antes mesmo da morte de Joey Ramone. Em função da ‘postura engessada’ que a banda precisava carregar, em  1996 eles resolveram parar de tocar.  Desde o fim dos Ramones, Joey lutava contra o câncer linfático e planejava seu disco solo. No final do ano 2000 o câncer deu uma trégua e o vocalista ainda fragilizado lançou um álbum em que mostrava sua vocação de multiinstrumentista, tocando todos os instrumentos e ainda cantando.

Mas em dezembro Joey escorregou no gelo da calçada à frente de seu apartamento e quebrou a bacia. A medicação do tratamento foi interrompida para que uma cirurgia fosse realizada e assim o câncer se alastrou. No dia 15 de abril de 2001 Joey Ramone faleceu. A notícia abalou milhares de fãs do mundo inteiro. Os Ramones eram tudo para Joey, ele era um dos símbolos do punk e um dos vocalistas e personagens mais influentes e queridas da história do rock e da música.


E é por isso que os Ramones abocanharam vários prêmios da música e são considerados como um dos grupos mais importantes da história, tal como os Beatles foram. Somente em tributos eles somam (entre os principais), 14 títulos. São eles: Gabba Gabba Hey (1991), Ramonetures (2000), Ramones Forever: an International Tribute (2001), Strength to Endure: A Tribute to Motorhead & the Ramones (2002), We're a Happy Family: A Tribute to Ramones (2003), Gabba Gabba Metal (2004), Blitzkrieg Over You: A Tribute to the Ramones (2004), Gabber Gabber Hey!: A Loud And Fastpaced Tribute To The Ramones (2004), Todos Somos Ramones (2005), Guitar Tribute To The Ramones (2005), The Rockabilly Tribute to the Ramones (2005), Pan For Punks...A Steelpan Tribute To The Ramones (2005), Brats on the Beat: Ramones for Kids (2006), The Family Tree (2008).

Na videografia, os percussores do punk são protagonistas de sete películas: Rock 'n' Roll High School (1979), Lifestyle Of The Ramones (1990), Ramones: We're Outta Here! (1997), Ramones: Around The World! (1998), End of the Century: The Story of the Ramones (2003), Ramones RAW (2004), It’s Alive: 1974-1996 (2007).

Joey e sua trupe fizeram história enquanto entravam pra ela. Antes de encerrarem a carreira, os roqueiros arrastavam uma legião incontável de fãs e protagonizaram materiais sobre os Ramones. O fato é que com o fim da banda e falecimento de Joey, o grupo não foi tão citado quanto ainda fazia sucesso.

Os Ramones foram a prova de que uma banda que não sabe quando começar sabe exatamente a hora de parar. Joey morreu sendo ‘o cara’ e não precisou virar cinzas para saber disto. Viveu, causou, encantou multidões e se viu ser aplaudido e seguido por várias partes do mundo.

A mensagem de “Hey Ho Let’s Go” foi levada mundo afora e embora não seja tão otimista assim, prova que Joey e os Ramones vieram, vivenciaram e viram seus nomes estampados em revistas, camisetas, livros e vidas de muitas pessoas.

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terça-feira, 27 de abril de 2010

O legado de Ian Curtis e a “beatificação” cinematográfica

Para ampliar a lista dos ícones do rock que morrem e consolidam suas carreiras para “todo o sempre”, chega a vez de Ian Curtis.  Vítima de epilepsia e de problemas conjugais, o líder do Joy Division suicidou aos 23 anos de anos de idade. Muitos atribuem o ‘auto-enforcamento’ do músico ao divórcio conturbado da sua esposa e um caso extra-conjugal com a jornalista belga Annik Honoré.

O Joy Division foi uma banda pós-punk formada no ano de 1976, em Manchester, Inglaterra. Formada por Ian Curtis (vocal, guitarra), Bernard Sumner (guitarra), Peter Hook (baixo), Stephen Morris (bateria), a banda tinha forte influência na cultura punk de 1977 e misturava o rock underground com experimentalismo e inovações eletrônicas.

Caracterizado por densas melodias, marcadas pela bateria quase "militar" de Stephen Morris, e uma tendência para a depressão e a claustrofobia, as letras obscuras e poéticas de Ian Curtis se tornaram uma característica marcante do grupo, assim como seu vocal em barítono.

Como forma de “fortalecimento” da imagem do mito que morre, a indústria cinematográfica não deixou a desejar no caso de Ian Curtis. O líder do Joy Division ganhou em 2007, uma biopic (algo como uma cinebiografia) sobre sua vida e morte.  O longa Control traz um belo retrato da vida conturbada do músico, que é interpretado pelo ator Sam Riley.

O filme foi estrategicamente lançado em uma década em que o suicídio virou notícia e problemas conjugais virou a “última moda”. Vale ressaltar que o interesse pela vida privada de indivíduos públicos também tem sido uma constante no cinema. A vida de Ian Curtis nada mais é do que um mix desses assuntos e a sua morte foi a ‘cereja do bolo’ para a veiculação em massa dos problemas que ele enfrentava.

A imagem preta e branca de Control reforça a sensação de desconforto. É como se o telespectador pudesse ver o tom sombrio da vida que Ian levava.

Para quem ainda não assistiu Control fica a dica de uma excelente produção e direção e um aperitivo para se entender um pouco mais sobre o interesse da indústria cinematográfica em ‘mitificar’ a imagem do ser aclamado pela comoção pública.

Ian Curtis e o Joy Division também foram alvos de outras publicações cinematográficas. O filme 24 Hour Party People traz a história da Factory Records e possui muitas cenas sobre os Joy Division. Lançado em 2009 no Brasil, Touching From a Distance: Ian Curtis and Joy Division traz a história do músico contada por sua esposa Deborah Curtis. Há ainda o documentário Joy Division, com entrevistas aos membros da banda.

Ian Curtis foi cremado e as suas cinzas foram enterradas em Macclesfield, com uma lápide com a inscrição "Love Will Tear Us Apart" ("O Amor Vai Nos Destruir"). O epitáfio, escolhido por sua esposa Deborah, é uma referência à canção mais conhecida do Joy Division.

A banda chegou ao fim, junto com a vida do vocalista. Mais tarde, os membros do Joy Division formaram o New Order. A influência do quarteto no rock mundial permanece, em bandas como Franz Ferdinand e The Killers. De acordo com entrevistas realizadas entre vários músicos, o Joy Division é marcado como ídolo de outros artistas como  Thom Yorke do Radiohead, Billy Corgan dos Smashing Pumpkins e no Brasil o Renato Russo do Legião Urbana.

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Após anúncio oficial de morte, Peter Steele é eternizado no grupo dos “Mitos da música”

A imprensa nacional e internacional noticiou na semana passada, a morte do vocalista da banda Type O Negative.  Peter Steele faleceu na última quarta-feira, 14 de abril, aos 48 anos de idade. Nenhuma causa oficial da morte foi divulgada, mas acredita-se que Steele tenha sofrido um ataque cardíaco. O motivo da morte deve ser anunciado após uma autópsia. Peter Steele lutava contra o vício em álcool e cocaína.

“O músico nasceu como Petrus T. Ratajczyk em 4 de janeiro de 1962 no Brooklyn, Nova Iorque / Ele tinha 2 metros de altura e possuía uma voz muito grave, que era uma das características mais marcantes na música do TYPE O NEGATIVE”, noticiaram os jornais no dia 15 de abril, um dia após a confirmação da morte pelo tecladista Josh Silver no site blabbermouth.net e na página oficial da banda (http://www.typeonegative.net/). Os traços da mensagem “ele irá fazer muita falta” ficaram evidentes, em poucos minutos após a notícia do falecimento de Peter.

Muitos ficaram receosos em dar furo, pois não era a primeira vez que Peter aparecia morto na imprensa. É fato que o próprio vocalista já havia reconhecido que o anúncio de sua morte ‘combinaria’ com a sua carreira, principalmente pelos traços depressivos que ele apresentava em suas canções. Prova disto é que em 2005, foi espalhado um boato na web de que Steele teria morrido, depois que a imagem de uma lápide com o nome do vocalista foi publicada na página do Type O Negative.

O lançamento do álbum “Dead Again” trouxe a morte como o marketing principal da banda. O vocalista apresentou neste disco, um compilado de religiosidade e morte depois de ter convivido com esse problema na família. Portanto, o próprio vocalista reconheceu antes de morrer, o quão esse fato despertava o interesse público.

A manifestação de músicos conhecidos em relação à perda de um amigo também é responsável pelo processo de “mitificação” de quem morre. O pessoal tratou rapidamente de elogiar todo o trabalho que ele realizou, com uma justa homenagem, enfatizando que ele talvez poderia ser o “melhor” entre os músicos do estilo. “Meu amigo, irmão e mentor, Peter Steele, Type O Negative, Carnivore ... a minha maior influência musical ... ele deu o nome Biohazard”, esclareceu o baixista/vocalista do BIOHAZARD, Evan Seinfeld. O baixista Jason Myers do ICARUS WITCH soltou a seguinte nota: “Peter Steele, um verdadeiro ícone, enigma, um gênio musical e um puta cara simpático com quem tive o prazer de conversar em várias ocasiões desde início dos anos 90, teria morrido de insuficiência cardíaca na idade de 48”. Já Fernando Ribeiro (MOONSPELL) enfatizou com a frase "Morte de Peter Steele é fim de uma era".

O sentimento depressivo e a ascensão pela morte fizeram parte de um bom pedaço do marketing do Type O Negative. “O papel de uma banda de rock é incomodar as pessoas”, retratou Peter em entrevista ao site knac.com/. "Minha vida não é tão empolgante para eu poder descrever ou fazer uma música interessante. Então eu tenho que exagerar. Minha vida é bem enjoativa. Fica praticamente girando em desenhos animados aos sábados ou assistir tv durante o jantar.(...)", completou.  Portanto, os traços de uma vida sombria já faziam parte da rotina de Peter e do Type O Negative.  “Não gosto de sair, pois eu não gosto de ser reconhecido. Eu não gosto que olhem pra mim. Eu realmente não gosto de estar no palco, entretanto, eu sou um masoquista, então é a punição perfeita pra mim."

É inegável o fato de que a morte de Peter foi uma perda para os fãs e para a música. Porém, já se pode aguardar especiais de aniversário da morte e a disponibilização de inúmeros materiais sobre o músico que devem ser lançados, merecidamente homenageado.

Antes de formar o TYPE O NEGATIVE, Steele tocou na banda de metal FALLOUT e na de thrash CARNIVORE. Peter Steele nasceu no dia 4 de janeiro de 1962, no Brooklyn, em Nova York. Ele participou como vocalista, baixista e letrista de sete discos do Type O Negative, entre 1991 e 2007.

Nota: Matéria dedicada à Rafael Oliveira, eternamente fã de Peter Steele e Type O Negative.

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segunda-feira, 12 de abril de 2010

O mito do mito: a história do "herói" Mark Chapman

"Eu era ninguém até matar o maior alguém da Terra". São com essas palavras que o ícone em questão posiciona-se no mundo mítico de grandes heróis, que passam a ser mundialmente reconhecidos ou por um acontecimento fatídico de ‘salvar o mundo’, ou por ‘acabar com o mundo de vários’.

Mark David Chapman deixou de ter um nome para se chamar “assassino de John Lennon”. O indivíduo até então ‘anônimo’ poderia ser tachado de maluco, inconseqüente e transtornado, que mata uma pessoa sem ter motivos lógicos. Porém, ele não cometeu apenas um crime, mas O crime. “Na noite de 8 de dezembro de 1980, quando voltava para o apartamento onde morava em Nova Iorque, no edifício Dakota, em frente ao Central Park, John Lennon foi abordado por um rapaz que durante o dia havia lhe pedido um autógrafo em um LP Double Fantasy em frente ao Dakota. O assassino deu 5 tiros em John Lennon com revólver calibre 38”, dizia os jornais do mundo inteiro após o acontecimento.


Chapman permaneceu no local, pegou o seu exemplar de O Apanhador no Campo de Centeio e continuou a lê-lo até que a polícia chegasse. Em seu depoimento à polícia, três horas depois, Chapman disse: "Eu tenho certeza que a grande parte de mim é Holden Caulfield - que é a pessoa principal do livro. A outra pequena parte deve ser o diabo". Dali em diante, sua vida e insanidade jamais deixariam de ser mencionadas nos periódicos do mundo todo.

Mas quem era ele e por que se tornou um mito? Simplesmente por ter matado ninguém menos do que o ícone, e um grande homem, que conquistou o status de “Deus da Terra” por seu ‘perfeito’ trabalho e por ter sido vítima de uma morte tão trágica. Músico, compositor, escritor e ativista em favor da paz britânica, John Lennon foi considerado um dos maiores símbolos do século XX, porque ele, e não outra pessoa, junto com Paul McCartney, George Harrison, e Ringo Starr, foi autor das músicas mais tocadas e respeitadas de várias gerações.

Após a morte de John Lennon, Mark Chapman foi título de grandes publicações da indústria cultural. Durante vários anos, o assassino de John Lennon foi alvo de lucrativas matérias à importantes periódicos norte-americanos, como as revistas People e Rolling Stone. Em 1992 foi o protagonista do livro Let Me Take You Down: Dentro da mente de Mark David Chapman, o homem que matou John Lennon. Ele também foi interpretado no filme “Capítulo 27” - O título é uma referência a O Apanhador no Campo de Centeio, que tem 26 capítulos e foi inspirado no capítulo 27 que seria ‘escrito’ por Chapman.

Uma série de teorias de conspiração tem sido publicadas, com base na CIA e do FBI de vigilância de Lennon, devido às ações de Mark Chapman no assassinato. Em 1982, a Rhino Records lançou uma compilação de novidades relacionadas com Beatles e canções paródia, chamado Beatlesongs, que trazia uma caricatura de Chapman na capa. A banda The Cranberries lançou uma música em seu álbum de 1996 para os fiéis defuntos, intitulado “I Just Shot John Lennon“, descrevendo os eventos ocorridos em 8 de dezembro de 1980. A banda ... And You Will Know Us pelo Trail of Dead lançou uma música intitulada "Mark David Chapman”. Já o grupo Eighteen Visions fez a canção "Who the Fuck Killed John Lennon?"

Chapman foi interpretado por Jonas Ball em um filme britânico, The Killing of John Lennon, lançado em 2007. O músico Rick Springfield lançou uma música em seu álbum de 2008 intitulada "3 tiros de aviso", uma canção que descreve as ações Chapman e seu estado de espírito em 8 de dezembro de 1980. Mark Linn-Baker vai lançar Chapman em um filme que será dirigido por Sean Penn. Em 2010, a VH1 dedicou um episódio da famosa cena do crime com o assassinato e os esforços do Departamento de Polícia de Nova Iorque para provar a sanidade de Chapman. Em 2010 foi a vez de um episódio da série South Park intitulado The Tale of Scrotie McBoogerballs fazer referências ao assassino de John Lennon.

E as publicações não pretendem parar por aí. Entra ano e saem décadas que a morte de John Lennon é pauta para os principais veículos e filmes relacionados ao assassinato do maior percussor do rock n’ roll conhecido pela humanidade.

Não só a carreira, mas a morte de John Lennon gerou para a indústria cultural a estimativa de 12 filmes, 5 livros, 26 álbuns e sabe-se lá quantas camisetas, acessórios, vinis etc. O herói John Lennon atravessa décadas, é rentável para a indústria cinematográfica, é pauta de jornais anualmente – quando comemora-se seu aniversário de morte, é o ícone, o símbolo, o signo, o ser perfeito, criado e reforçado pela mídia.

O mérito e a morte fizeram de John Lennon a imagem perfeita do “Deus”. A responsabilidade pelo fim trágico desta personalidade nomeou Mark Chapmam como o Judas. O mito criado a partir de outro mito, que quando morrer será relembrado como Lennon, embora seja pelo revés do ser perfeito, porque como o próprio Lennon cantou: “Imagine there’s no heaven...’’, é fácil imaginar que não há o paraíso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Axl Rose e o paradoxo do estrelato

É com muito atraso, críticas e elogios, que a banda Guns N’ Roses despede-se do Brasil, depois da última apresentação no Rio de Janeiro, no domingo (4/4). Apesar das críticas feitas à banda em relação às apresentações e o descumprimento do horário para início dos shows, pouquíssimos se arrependeram do que viram.

Não é preciso denominá-lo como uma das maiores estrelas do rock n’ roll, porque ele próprio faz questão de deixar isso bem claro. Mesmo sendo o ser mais ‘antipático’ rotulado pela mídia de massa, Axl Rose consolida-se como um ícone do rock, que se apóia na contradição do ser amado e odiado, e comprova sua aprovação do público a partir da reprovação de sua postura.

O atraso no show do Rio de Janeiro foi visto pela imprensa brasileira como um “total desrespeito ao público”. De acordo com o portal Último Segundo, o Procon-RJ aconselha fãs do Guns N' Roses a pedir ressarcimento por atraso em show e ainda completou “O consumidor não tem nada a ver com o atraso ocorrido. Aquele que promove um show deve respeitar o horário estabelecido”. Sem discordar dos princípios éticos de que o artista deve respeitar o público, esse é um bom exemplo de que o líder do GNR sustenta-se no âmbito do mito. É não cumprindo com a ética que Axl consolida-se como a estrela antagônica, que quanto mais erra, mas afirma sua imagem de “Axl é Axl”.

Axl é o revés do símbolo do ser perfeito. Faz questão de chegar atrasado aos shows, some do mapa e quando aparece é alvo de escândalos, foi o responsável por um dos álbuns mais caros da história, é conhecido como “chato” pela imprensa, briga com outros ídolos, se acha “o cara” e se denomina o ser inalcançável. Duvida? Digite “Brigas de Axl Rose” no YouTube e veja a lista que aparece.



O fato é que, quanto mais caminha contra, mais Axl consolida-se como ícone. Prova disso é a turnê de Chinese Democracy, que leva o nome do disco mais criticado do Guns N’ Roses e que está rodando o mundo e lotando estádios por onde passa. A plateia – que vai além dos fanáticos pela banda - assume ser “impossível” perder um show como o do Guns N’ Roses.

Somente no Brasil, Axl e sua trupe surpreendeu o público que se arrependeu em dizer que o show do Guns não seria a mesma coisa sem Slash. Basta ver as manchetes veiculadas nos últimos dias, como as do site Gunsnrosesbrasil.com: “Brasília e Belo Horizonte receberam o GN’R: a turnê começa com tudo” / “Guns lota o Palestra e faz o maior show do Brasil” / “Porto Alegre sofre com atraso, mas vibra com GN’R”. Vale lembrar o memorável ‘bolo’ que Axl deu aos famosos brasileiros, que o esperavam para um show particular. Crise de estrelismo? Ainda bem que foi com as celebridades, e não com o público que pagou (caro) pra ver a banda nos estádios.

Portanto, concordando ou não, o astro é mundialmente conhecido pelas suas atitudes polêmicas, voz estridente e muita disposição no palco. É considerado um grande mito da música nos últimos anos e um dos grandes frontmen da história do rock.Axl Rose é a prova viva de que as estrelas sobrevivem nos extremos de sua existência. Quando elas são perfeitas, são ótimas, mas quando são imperfeitas, são melhores ainda.

Veja também: http://rockwall.com.br